Foliões mantêm vivo o legado do afoxé na avenida e destacam mensagem de respeito e consentimento

“Olha o Gandhy aê! Olha o Gandhy aê o! O Carnaval de Salvador não seria o mesmo sem o tradicional “tapete branco” dos Filhos de Gandhy. É assim que avalia Luiz Carlos, de 50 anos, que acompanha o bloco desde a juventude.
“Comecei a vir para o Gandhy com meu pai ainda na adolescência, ele saía no Gandhy e minha mãe no Malê. Hoje, dou continuidade a essa tradição”, contou.

Foto: Bruna Rocha
Animado para o desfile, o folião também refletiu sobre a troca de colares por um beijo, que é um costume marcante do bloco.
“Entendo que faz parte da tradição, mas acredito que a troca pode acontecer com abraços e votos de paz. O beijo deve ocorrer apenas quando houver consentimento”, destacou, ao comentar a importância do respeito às mulheres durante o cortejo.
Assim como Luiz, Tácio Carvalho, de 30 anos, também mantém uma longa relação com o Filhos de Gandhy.
“Minha expectativa para o desfile de hoje é levar muita paz e axé para as pessoas. São 15 anos de história com o bloco e a minha mensagem principal sempre é de empatia, respeito ao próximo e de levar alegria a todos os foliões do Carnaval de Salvador”, afirmou.
Sonhos futuros
Para o estudante Caíque Yuri, de 26 anos, desfilar com o Filhos de Gandhy é um sonho que pretende realizar em breve.
“Cresci vendo meus familiares se arrumando para ir ao Gandhy e se encontrando no bloco nas ruas do Campo-Grande. Eu também acompanhava o desfile pela TVE e, com o tempo, fui alimentando o desejo de participar do cortejo. Ainda não consegui por motivos financeiros, mas a vontade é grande e acredito que em breve vou realizar”, afirmou o estudante de física da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Texto: Bruna Rocha


