
Com a proximidade dos dias mais movimentados do Carnaval 2026, autoridades em Salvador intensificam ações de proteção às mulheres diante de dados nacionais que apontam alto índice de medo e experiências de assédio durante a folia. Dados de um levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva e divulgados na última quarta-feira (11), revelaram que 47% das mulheres brasileiras já sofreram alguma forma de assédio sexual no Carnaval e 80% têm medo de passar por situações desse tipo, evidenciando que a violência de gênero continua a impactar a participação feminina na festa.
A pesquisa mostra ainda que a insegurança feminina no contexto do Carnaval vai além da sensação individual: 86% dos entrevistados reconhecem que o assédio ainda existe na folia, e a necessidade de campanhas e ações de combate a essas violências é apoiada por ampla maioria da população. A pesquisa foi realizada em todo o país, com 1503 pessoas com mais de 18 anos que compõem uma amostra representativa da população brasileira.
Na capital baiana, a Prefeitura de Salvador, a Polícia Militar da Bahia e a Polícia Civil lançaram um plano integrado de segurança com foco especial na proteção de mulheres durante a folia. A iniciativa inclui a implementação ampliada do “Botão Lilás”, um canal direto de comunicação para acionar apoio de forma rápida e discreta por meio de WhatsApp, conectado ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), o que permite a resposta imediata de equipes de segurança a ocorrências de gênero em todos os circuitos da festa.
O plano reforça a atuação conjunta entre Guarda Civil Municipal, PM e Polícia Civil, com monitoramento permanente 24 horas, viaturas dedicadas e equipes especializadas em acolhimento e atendimento às vítimas. A secretária municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude, Fernanda Lordelo, destacou que ferramentas como o Botão Lilás são “fundamentais para que as mulheres saibam que não estão sozinhas”, com resposta rápida e encaminhamento seguro ao longo do Carnaval.
A estratégia inclui também campanhas de conscientização como “A Rua é Delas”, distribuição de material informativo sobre violência contra a mulher e protocolos de atendimento em postos de saúde, além do funcionamento 24 horas da Casa da Mulher Brasileira, que atende ocorrências de violência doméstica, familiar e sexual envolvendo mulheres de todas as idades.
Ainda de acordo com os dados, 22% dos brasileiros acham que quem está pulando Carnaval sozinho “quer ficar com alguém” (28% entre homens e 16% entre mulheres); 18% acreditam que a roupa usada por uma mulher pode indicar intenção de beijar (23% entre homens e 13% entre mulheres); e 17% consideram que, no Carnaval, “ninguém é de ninguém” (20% entre homens e 14% entre mulheres).
A pesquisa também questionou sobre uma prática que configura violência sexual: para 10% de todos os entrevistados e 12% dos homens, é aceitável que um homem “roube” um beijo de uma mulher alcoolizada durante a festa.
Autoridades defendem que, para garantir que o Carnaval seja um espaço de diversão e expressão cultural, seja necessário promover ações coletivas que uninam segurança pública e conscientização social, envolvendo não apenas estruturas de policiamento, mas também educação sobre respeito e consentimento nas ruas da festa.
O Botão Lilás funcionará como um canal direto para acionar a Patrulha Guardiã Maria da Penha da GCM de Salvador. O contato poderá ser feito de forma discreta e rápida através do aplicativo de mensagens WhatsApp, no número (71) 98791-3420.


