
No próximo dia 25 de julho, data em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino‑Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, acontecerá em Salvador a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver. A concentração está marcada para às 14h, na Praça da Piedade, com percurso até o Terreiro de Jesus, no Centro Histórico.
O ato integra o “Julho das Pretas”, uma programação iniciada em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra e atualmente coordenada pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Rede de Mulheres Negras do Nordeste e Rede Fulanas. Em 2025, foram contabilizadas mais de 600 atividades em 18 estados brasileiros e também em países como Colômbia e Reino Unido, mobilizando cerca de 250 organizações.
Para Naiara Leite, coordenadora executiva do Odara, a mobilização recorde deste ano do Julho das Pretas é uma expressão do papel das mulheres negras na afirmação de um projeto político dentro e fora do Brasil.
“É extremamente importante para a gente pensar como a luta das mulheres negras é uma luta transnacional, ela é uma luta que fortalece uma agenda de transformação real que não impacta apenas o cenário brasileiro a partir da luta das mulheres negras, mas impacta também outras realidades.”
Reparação e Bem Viver são as bandeiras de luta que orientam o Julho das Pretas neste ano, trazendo como perspectiva o resgate histórico do processo de colonização e escravização das pessoas negras, bem como seus impactos no Brasil até os dias atuais. Para Leite, falar de Reparação Racial é, também, revisitar o passado sistematicamente invisibilizado do nosso país.
“[O tema da Reparação] vai apontar a importância de trabalhar com perspectivas relacionadas à memória, à memória nacional, à memória da luta racial no Brasil, à memória de como a sociedade brasileira se organizou e se estruturou a partir da violência e desse projeto de genocídio que extermina, invisibiliza, exclui, subalterniza as populações negras e as mulheres negras”, explica.
Já o Bem Viver, por sua vez, é apontado pela coordenadora como uma perspectiva ética e política que traz para o centro o respeito às formas organizativas que comunidades negras e indígenas vêm constituindo ao longo da história e se apresenta a uma contraposição ao modelo capitalista vigente.
“O Bem Viver, nesse contexto de disputa de projeto político que as mulheres negras têm protagonizado, é extremamente central para a gente construir e imaginar de maneira radical outra sociedade. Uma sociedade que seja possível para todas as pessoas, uma sociedade que não exclua e não hierarquize a participação política, que não subalternize e não retire a vida de nenhuma pessoa, que assegure condições de humanidade para todas as pessoas e de direitos.”
As atividades relacionadas ao Julho das Pretas também trazem a centralidade da mobilização para a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que ocorrerá em Brasília no dia 25 de novembro, com a perspectiva de mobilizar um milhão de mulheres. Essa iniciativa acontece 10 anos depois da primeira marcha, que levou mais de 50 mil mulheres às ruas da capital federal. Leite relembra que, assim como neste ano, o primeiro protesto também foi fortalecido pelas agendas de julho.



