O cargo que Dona Dazinha ocupava é o mais alto na hierarquia da Irmandade da Boa Morte

A Juíza perpétua da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, Maria das Dores da Conceição, a Dona Dazinha, morreu aos 108 anos. A morte foi comunicada pela irmandade nesta terça-feira (1°).
O cargo que Dona Dazinha ocupava é o mais alto na hierarquia da Irmandade da Boa Morte composta exclusivamente por mulheres negras.
“É com profundo pesar que noticiamos o falecimento de nossa irmã Juíza Perpétua Maria das Dores da Conceição, mais conhecida como D.Dazinha, aos 108 anos de idade e muitas décadas de amor e dedicação a Maria. Que seu retorno para o òrun seja leve e tranquilo com as bençãos de nossa grandiosa mãe Maria. E com acolhida de nossas ancestrais”, diz a nota divulgada pela Irmandade.
O corpo de Dona Dazinha foi sepultado na cidade de Muritiba, onde morava.
A Irmandade da Boa Morte é uma confraria afrocatólica brasileira que, por muito tempo, foi responsável pela alforria de inúmeros negros escravizados.
Não há uma data precisa sobre o surgimento do grupo. Pesquisadores apontam que os primeiros sinais da Irmandade datam de 1810, em Salvador, a partir de mulheres escravizadas oriundas de países africanos.
O grupo foi extinto por causa de perseguições, que fizeram com que algumas irmãs fossem para Cachoeira, cidade que, na época, gozava de uma economia pujante. Em 1840, elas retomaram as atividades.
O nome da irmandade foi escolhido porque quando os negros eram maltratados – o que era comum nos séculos passados – sempre pediam para terem uma boa morte. Muitos pediam a interseção de Maria, para morrerem bem junto a ela.
O grupo já chegou a ter 150 integrantes, com posições passada entre gerações. Apesar do número relativamente expressivo, essas mulheres precisaram lutar para cultuar uma santa católica, sem deixar de lado a ancestralidade do povo preto, portanto, mantiveram o culto aos orixás das religiões de matriz africana.
A tradicional e bissecular Festa da Nossa Senhora da Boa Morte é celebrada todos os anos em Cachoeira, no Recôncavo Baiano. O evento é patrimônio imaterial do estado desde 2010.
A festa acontece sempre em agosto, mês dedicado à Nossa Senhora, reunindo cultura e religião em manifestações de fé, respeito e solidariedade, para lembrar a luta e resistência do povo negro. Todos os anos, os festejos atraem turistas do Brasil e do mundo para a cidade.
Com informações do jornal Correio e do G1



