Moradores temem que uma das pilastras destrua uma nascente da Cachoeira Oxumarê

A controvérsia em torno do projeto do teleférico no Subúrbio Ferroviário de Salvador tem se intensificado, com críticas cada vez mais veementes à falta de transparência e de diálogo por parte da Prefeitura de Salvador, liderada pelo prefeito Bruno Reis, do União Brasil.
A proposta, que visa ligar Praia Grande ao bairro de Campinas de Pirajá, atravessando o Parque São Bartolomeu, uma área de proteção permanente com milhares de hectares de Mata Atlântica, tem gerado preocupações entre moradores, ambientalistas e membros de religiões de matriz africana, que consideram o local sagrado.
O assunto ganhou fôlego nesta sexta-feira (23), ao ser debatido entre usuários de redes sociais como Instagram e X, antigo Twitter.
A vereadora Marta Rodrigues, do PT, tem sido uma das principais vozes de oposição ao projeto. Ela critica a ausência de estudos técnicos detalhados e de debates públicos sobre o impacto ambiental e social do teleférico. Marta também expressa preocupação com o possível dano à nascente da Cachoeira de Oxumarê, uma das mais importantes do parque e vital para a região.
A falta de transparência da prefeitura e a ausência de consulta à comunidade têm sido os principais pontos de crítica. Moradores e ativistas apontam para o histórico negativo de projetos semelhantes, como o túnel subterrâneo no Centro Antigo, que foi rejeitado pela opinião pública. A importância do Parque São Bartolomeu, não apenas como um espaço de preservação ambiental, mas também como um local de relevância cultural e religiosa foi levantada para justificar os apelos.
Por outro lado, a Fundação Mario Leal Ferreira, responsável pelo projeto, defende que o teleférico trará benefícios para a região, como o estímulo ao turismo e o acesso a áreas antes de difícil alcance. No entanto, até o momento, não foram apresentados estudos detalhados que comprovem esses benefícios ou que abordem de forma adequada as preocupações ambientais levantadas.
Diante do impasse, a sociedade civil tem pressionado por mais transparência e participação nas decisões que afetam o Parque São Bartolomeu e seu entorno. O embate entre os defensores do projeto e seus críticos promete continuar, refletindo não apenas uma disputa política, mas também um debate sobre o modelo de desenvolvimento urbano e a preservação ambiental na cidade de Salvador.



