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Festa de Santa Bárbara: Centro Histórico se torna espaço de devoção e homenagem nesta segunda-feira (4)

Celebração comemora 382 anos e é um dos Bens Imateriais protegidos pelo IPAC

A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Salvador, realiza, nesta segunda-feira (4), mais um ano da Festa de Santa Bárbara. Com 382 anos de existência, a celebração é um dos Bens Imateriais protegidos pelo IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural) e atrai anualmente milhares de fiéis, entre baianos e turistas, que enchem o Centro Histórico de vermelho.

Com o tema “Santa Bárbara, filha da Virgem Maria, fazei germinar em nós a esperança de um mundo mais humano, fraterno e igualitário”, as celebrações tiveram início com o tríduo, que ocorreu entre os dias 1º e 3 de dezembro.

“No âmbito sincrético, a mitologia de Iansã é usualmente associada à Santa Bárbara, divindade católica que foi morta pelo pai ao se converter ao cristianismo. Após a execução de Bárbara, um raio atingiu a cabeça de seu progenitor. Pela razão do óbito, muitos equiparam a santidade católica ao poder que Oyá tem de controlar os ventos e raios. Além disso, o fato de Santa Bárbara ser representada com uma espada nas mãos reforça ainda mais a aproximação junto à divindade afro”, escreveu o Historiador Rainer Sousa, no site Brasil Escola.

Foto: Fernando Barbosa

Em homenagem à protetora contra relâmpagos e tempestades, a programação de hoje teve início com a alvorada e repique de sinos, às 6h, seguida da missa campal às 8h, presidida pelo capelão, cônego Lázaro Muniz.

Logo após a Celebração Eucarística acontecerá uma procissão, que sairá da Igreja do Rosário dos Pretos, passará pelas ruas Gregório de Mattos, João de Deus, Terreiro de Jesus, Praça da Sé e Ladeira da Praça. Ao chegar ao Corpo de Bombeiros (Barroquinha), os devotos farão uma parada para homenagear a padroeira da corporação e, logo após, seguirão para a Baixa dos Sapateiros, Rua Padre Agostinho e Pelourinho até retornar à Igreja.

História

A Festa de Santa Bárbara remonta ao ano de 1639, quando o casal Francisco Pereira e Andressa Araújo construiu capela devocional no comércio às margens da Baía de Todos os Santos, em Salvador. Desde então a festividade, transferida para o Pelourinho, tornou-se não somente fonte de fé para católicos como também para adeptos da religiosidade de matrizes africanas, que chegam de diversos estados brasileiros e até de fora do Brasil para participar da festa e procissão em Salvador.

A programação inclui tríduo de celebrações eucarísticas e termina na Igreja do Rosário dos Pretos. A igreja e seus bens móveis, como as imagens dos santos, pinturas do teto e azulejos foram restaurados pelo IPAC ao custo de R$ 2,6 milhões no início da década de 2010. Autarquia da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBa), o IPAC recebeu nessa época recursos do Tesouro Estadual e do programa federal Prodetur, financiamento do Banco Interamericano, via Ministério do Turismo e Secretaria do Turismo, e investimento do Banco do Nordeste.

Foto: Reprodução/X (Twitter)/@oxejoab

A exposição permanente que existe no corredor lateral da Igreja do Rosário dos Pretos também aconteceu graças ao Edital de Museus do IPAC. A mostra é uma homenagem à Irmandade e à Venerável Ordem Terceira do Rosário às Portas do Carmo, nome da entidade, fundada por descendentes de escravos e ex-escravos que construíram a igreja.

O IPAC é integrante da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBa) que repassou neste ano (2023) o investimento de aproximadamente R$ 386 mil para a realização das comemorações e outras ações correlatas.

A manifestação passou a ser Patrimônio da Bahia em 2008 via Decreto nº 11.353 do Governo da Bahia. O roteiro começa no Largo do Pelourinho e depois uma procissão segue para o Terreiro de Jesus, Praça da Sé, Praça Municipal, Ladeira da Praça, parando na sede do Corpo de Bombeiros, na Praça dos Veteranos, seguindo na Baixa dos Sapateiros até o Mercado de Santa Bárbara e voltando ao Largo do Pelourinho onde os andores com os santos ficam por um tempo à espera de fiéis e devotos.

ORDEM, PATRIMÔNIO e LIVRO

Depois de um incêndio que destruiu o Morgado, no Comércio, a imagem da santa, que tinha capela própria, foi para a Igreja do Corpo Santo e, finalmente, para o Rosário dos Pretos. “Desde 1997, a festa é organizada pela Venerável Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora às Portas do Carmo Irmandade Dos Homens Pretos”, explica a diretora do IPAC, Luciana Mandelli. Todos os anos, o evento reúne mais de 10 mil fiéis no Centro Histórico de Salvador. São visitantes de todo o Brasil e até do exterior vindo participar das festividades que têm início com o Tríduo na Igreja entre os dias 01° e 03 de dezembro.

O Rosário foi fundado em 1685 e passou à Ordem 3ª em 1899. “Devido à importância cultural, artística e histórica da Igreja do Rosário dos Pretos, o conjunto é tombado como ‘Patrimônio do Brasil’ pelo IPHAN, desde 1938″, completa Luciana Mandelli. Acesse o site www.ipac.ba.gov.br, o instagram @ipac.ba, o facebook Ipacba Patrimônio e X (Twitter) @‌ipac_ba. Os interessados podem acessar gratuitamente o livro do IPAC ‘Festa de Santa Bárbara’ no site www.ipac.ba.gov.br, no lado esquerdo da primeira página, no link ‘Publicações para download’ e, depois, no link ‘Cadernos do IPAC’. Ou no link

SERVIÇO

Festa de Santa Bárbara
Quando: 4 de dezembro (segunda-feira), a partir das 7h
Onde: Centro Histórico de Salvador – O cortejo sai da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Largo do Pelourinho, até o 1º Grupamento de Bombeiros Militar, na Barroquinha

Foto: Fernando Barbosa

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