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Quilombolas de Santo Antônio preservam saberes ancestrais no Recôncavo Baiano

Em alusão ao mês da Consciência Negra, a Comunidade Quilombola de Santo Antônio, localizada na zona Rural de São Felix, Recôncavo Baiano, realizou a 8ª Feira de Sustentabilidade Quilombola, que este ano teve o seguinte tema: Quilombolas, fonte da preservação, saberes e fazeres ancestral, com objetivo de homenagear os mais velhos e reforçar a prevenção da cultura negra e os saberes ancestrais.

A manifestação social e cultural aconteceu na Associação Cultural Santo Antônio e Vidal, com abertura e apresentação do tema seguindo com homenagem às pessoas que fizeram parte da trajetória do quilombo. O evento, que aconteceu no último dia 26, contou com a apresentação do Nego Fugido da cidade de Acupe, Recital de Poesia, Grupo Raízes Afro Mirim, Grupos de Samba, Grupo de Teatro, dentre outros.

Membro do Grupo de Samba Santo Antônio, Joaquim Maturino, relata que os eventos culturais são necessários para a valorização da comunidade negra, bem como resgatar os conhecimentos culturais para não perder os saberes e prazeres ancestrais, além de mostrar a força quilombola. “Esses eventos são de extrema importância para as nossas comunidades quilombolas, trazem muita alegria, emoção e revive toda uma trajetória de uma geração. São comportamentos e estio de um povo sofrido, mas que ao mesmo tempo é muito bom de ser lembrado”, comenta Joaquim.

Tamile Conceição, trancista e jornalista em formação é uma das organizadoras do evento. Para ela, ver a realização de um evento como esse é de extrema importância para a comunidade negra.

“As apresentações, que esse ano contou com grupos culturais de outras comunidades e da cidade de São Félix, o nego Fugido da cidade de Acupe, foi um dos momentos impa pois trouxe outra perspectiva de apresentação. Com a mistura de adultos e crianças falando de algo tão importante fazendo lembrar dos nossos antepassados que sofreram com a escravidão, de uma forma tão realista e com sensibilidade em cada momento apresentado”.

Para além das apresentações, alguns convidados fizeram parte de uma mesa onde as pessoas falaram sobre a importância dos saberes ancestrais e contaram sobre a história de pessoas que fizeram parte do processo do quilombo.

Graduanda em Enfermagem, Ivanessa Soares teve um momento de fala (mesa), onde compartilhou a trajetórias, vivências e experiências daqueles que contribuíram de forma significativa para a preservação do quilombo. “Fazer parte da comunidade quilombola é muito empoderador, representa a conexão com uma herança cultural muito rica e com a ancestralidade o que nos torna mais fortes na luta pela conquista dos nossos direitos. A comunidade é um espaço onde partilhamos nossas conquistas, desafios e experiências e também onde nos fortalecemos”, destaca.

Para ela os eventos culturais proporcionam um espaço para nos expressarmos, onde podemos fortalecer os laços, além de desempenhar um papel de conscientização sobre o povo negro, promovendo compreensão e respeito entre diferentes grupos sociais.

A Feira foi um marco importante neste dia, um movimento que visa beneficiar a economia local das comunidades rurais. Diversas barracas foram expostas com produtos da agricultura familiar e outros diversos que são produzidos na região.

Deisiane Soares, lavradora, a feira é de extrema importância para a comunidade pois proporciona divulgação dos produtos e do trabalho que toda comunidade exerce além de incentivar aos que trabalham na agricultura a continuarem. Na barraca dela foi possível encontrar, licores, doces, cocada e água de coco, todos esses produtos produzidos na comunidade.

Rosalia Santos, agente de saúde relata sobre os benefícios que a feira traz. “A feira é de fundamental importância para que a comunidade possa escoar e divulgar as atividades desenvolvidas pelos agricultores onde todos possam ganhar, seja no incentivo financeiro e no desenvolvimento, além da visibilidade, participação social e a coletividade.”

Irenildes Santos, baiana e cabeleireira, também participou da feira comercializando acarajé e abará. Para ela a feira é símbolo de força e resistência, principalmente esse ano onde houve uma troca de saberes entres as comunidades e grupos da cidade. Ela chama atenção para uma pauta que é necessária as comunidades quilombolas, o acesso as políticas públicas;

“É válido ressaltar a importância do Desenvolvimento da Conscientização do que é ser um quilombola, quanto mais conhecimento tivermos sobre a importância de quem somos, podemos nos defender dos preconceitos da sociedade. O acesso às políticas públicas, facilita muito nas melhorias das condições de vida e acesso e ampliações do acesso a bens e serviços públicos das comunidades”.

O acesso a políticas públicas também vem sendo debatido por diversos membros da comunidade, para eles ainda falta muito a ser conquistado, como por exemplo a melhoria da infraestrutura: água potável, estradas com melhores qualidade, saneamento básico e reconhecimento das terras.

“É necessário reconhecimento e a titulação de terra e aqui me refiro à garantia do reconhecimento legal e à titulação das terras quilombolas, o que é crucial para proteger nossos direitos territoriais, promovendo a segurança e a estabilidade para a comunidade. E julgo também importante a participação e o empoderamento da comunidade em processos decisórios locais e que nossas vozes sejam ouvidas e respeitadas”, destaca Ivanessa Soares.

A força e luta do povo quilombola cada dia mais vem sendo percebida pela sociedade, uma luta diária que vai muito além da busca por reconhecimento, mas sim a busca por respeito a um povo que há muito tempo sofre com os preconceitos socioeconômicos.

Fonte: ANF (Agência de Notícias das Favelas)

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