No Censo de 2010, as mulheres representavam 53,3% da população, agora somam 54,4%
Salvador saiu da quarta posição para alcançar o primeiro lugar entre as capitais com o maior percentual de mulheres. A conclusão é resultado do Censo do IBGE divulgada nesta sexta-feira (27). No Censo de 2010, as mulheres representavam 53,3% da população, agora somam 54,4%, numa proporção de 8 homens para cada dez mulheres.
De acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Salvador é o 2º município mais feminino do país, só perde para Santos, em São Paulo, com (54,7%).
Segundo os números do instituto, entre 2010 e 2022, a participação das mulheres na população teve um crescimento significativo em Salvador, levando a cidade, no ano passado, aos postos de capital mais feminina do país e de 2º município brasileiro com maior proporção de mulheres no total de habitantes. Em 2022, as mulheres representavam 54,4% da população soteropolitana, ou 1.315.298 de um total de 2.417.678 habitantes.
O número total de moradores de Salvador caiu 9,6% entre 2010 e 2022 (menos 257.978 pessoas), mas o de homens recuou 11,7% (menos 146.517, indo a 1.102.380), enquanto o de mulheres se reduziu em 7,8% (menos 111.461).
Embora o contingente feminino tenha diminuído em relação a 2010, se reduziu menos do que o masculino e do que a população total da capital, o que fez a participação das mulheres crescer.
“A feminização do país como um todo tem relação com o envelhecimento da população e a forma com que homens e mulheres levam a vida. Temos uma mortalidade muito maior entre homens, especialmente nos primeiros anos de vida”, analisa Mariana Viveiros, supervisora de disseminação de informações do IBGE.
Assim, a proporção de mulheres na cidade subiu de 53,3% para 54,4%, apresentando o maior crescimento de participação (+1,1 ponto percentual) e elevando Salvador da 4ª colocação, em 2010, para o posto de capital mais feminina do Brasil em 2022, superando Aracaju (SE), Porto Alegre (RS) e Recife (PE). A capital baiana tinha o menor número de homens por mulher, da Bahia e entre as capitais (83,8 homens para cada 100 mulheres).
Os dados divulgados pelo IBGE indicam a necessidade da elaboração de políticas voltadas para mulheres na cidade, como explica Amanda Alves, pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da Universidade Federal da Bahia (Neim/UFBA). “Apesar de sermos maioria e ocuparmos espaços como as universidades e o mercado de trabalho, as desigualdades de gênero não diminuíram”, ressalta à reportagem do Correio.
“Precisamos de políticas públicas que atendam às necessidades relativas a saúde das mulheres, políticas atendam também o cuidado infantil para que não tenha sobrecarga de funções dessas mulheres, políticas destinadas ao emprego e renda, como capacitações, entre outras. Para além disso, é importante que o poder público ouça as necessidades dessas mulheres e que nós também estejamos compondo os espaços de decisões”, complementa a pesquisadora.
Fonte: Correio



