Governo do Ceará afirma que não há motivos para a preocupação do conselho, pois a instalação já foi desviada para longe da rede de fios de fibra óptica
Governo do Ceará afirma que não há motivos para a preocupação do conselho, pois a instalação já foi desviada para longe da rede de fios de fibra óptica
O Conselho do Meio Ambiente do Ceará (Coema) adiou a votação do projeto da usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza, que estava prevista para esta quinta-feira (19). O objetivo é remover o sal e aumentar em 12% a oferta de água potável para a população da Grande Fortaleza. A obra, no entanto, é apontada por empresas de comunicação como uma ameaça para o fornecimento de internet no Brasil.
O Coema é composto por 39 membros no conselho, entre representantes de órgãos públicos, de universidades e instituições da sociedade civil, como entidades de classe, de profissionais e do movimento ambiental.
O conselho é vinculado à Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará), que, entre outras funções, é responsável por emitir o licenciamento ambiental para obras no Ceará. A votação, portanto, iria avaliar se a superintendência vai emitir ou não o licenciamento ambiental para que a obra possa seguir.
O objetivo da usina, que tem estrutura no fundo do mar, é remover o sal da água e aumentar em 12% a oferta de água potável para a população da Grande Fortaleza. Desde que o projeto foi anunciado na Praia do Futuro, empresários temem que a estrutura seja danificada e que o país fique off-line.
A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), responsável pela usina, diz que o temor das operadoras é infundado porque a companhia já alterou o projeto inicial e retirou parte da estrutura da usina de perto dos cabos.
Para entender a polêmica é necessário entender a localização estratégica de onde está sendo construído o projeto: A Praia do Futuro, no litoral de Fortaleza, é um dos locais no Brasil mais próximos da Europa e por isso é o lugar que primeiro recebe cabos de fibra ótica do continente europeu.
A partir da capital cearense, esses cabos vão para Rio de Janeiro, São Paulo e países da América Latina. Ou seja, se os cabos forem rompidos no Ceará, o serviço de internet é afetado em todo o continente.
Apesar da distância entre a usina e os cabos de fibra ótica, o receio de deixar o Brasil offline continua.
“A usina vai puxar água do assoalho oceânico para tirar o sal. Essa sucção vai alterar o fundo do mar, mudando a topografia da região. E, mudando a topografia, os cabos vão se movimentar, o que também pode causar o rompimento de algum deles”, afirma o professor de Engenharia da Computação na Universidade Federal do Ceará (UFC) Yuri Victor Lima de Melo.
O governo cearense afirma que não há motivo para preocupação, pois a instalação foi desviada para longe da rede de fibra óptica.




