Considerada a dama do teatro baiano, Nilda é um dos ícones da memória das artes cênicas na Bahia
Neste sábado, dia 7 de outubro, às 15h, na Doca 1 no Comércio, a editora baiana Caramurê inaugura um novo espaço cultural. O evento ocorrerá juntamente com o lançamento do livro Nilda, escrito pelo jornalista Marcos Uzel, homenageando a atriz Nilda Spencer (1923-2008). Considerada a dama do teatro baiano, Nilda é um dos ícones da memória das artes cênicas na Bahia.
Para celebrar o centenário de nascimento da inesquecível artista, completado este ano, a editora lança essa peça teatral inédita de Uzel, que estreia no campo ficcional com sua primeira obra dramatúrgica. A trama mescla ficção e memória documental, enredada numa teia de situações cômicas, dramáticas e emocionantes, tecidas por um autor que tem domínio das estratégias narrativas para a cena graças ao conhecimento e à intimidade adquiridos em mais de vinte anos de atuação como escritor e crítico teatral.
A cantora Maria Bethânia escreveu um texto especialmente para o livro e destacou a importância cultural de Nilda Spencer dizendo que “o teatro baiano-brasileiro deve reverências muitas a essa mulher tão forte, de bom coração, amiga sincera e generosa em tudo que lhe chegava”.
Na obra, Marcos Uzel descreve a personalidade irreverente de Nilda, considerada uma mulher à frente do seu tempo por desafiar o conservadorismo e perseguir o seu sonho de apresentar como atriz. Ela ressignificou o seu espaço no mundo, movida pela alegria de viver. Foi assim que se transformou na musa dos boêmios, na rainha dos artistas, na dama dos palcos e num símbolo da diversidade.
“Essa motivação veio da minha admiração pela figura simbólica que ela representa para a cultura baiana. Como já tinha intimidade com a história dela, por ter publicado sua biografia em 2021, resolvi experimentar uma nova possibilidade de linguagem, apostando numa obra de ficção. Assim nasceu a peça. O que mais me fascina na história de Nilda é a vida intensa e saborosa que ela teve, sempre apostando na alegria de viver”, relata Uzel sobre a motivação para a escrita da obra.
Numa carta escrita e endereçada para o autor, publicada no livro, a dramaturga, poeta e contista Cleise Mendes, um dos nomes mais importantes da história das artes cênicas da Bahia, afirma que o autor da obra “não só fez uma boa seleção de ‘momentos’, como buscou materializá-los em cenas vivazes, interessantes e bem construídas, que convidam à encenação”.
“A partir dos dados biográficos que eu já conhecia, eu fui construindo diálogos mais comprometidos com a criatividade do que com os fatos históricos. Escrevi a peça durante a pandemia. O curioso é que o texto foi ganhando naturalmente a estrutura de um musical”, explica Uzel sobre o processo de confecção do novo livro.

Nilda Spencer atravessou décadas como uma das figuras mais solicitadas da cultura na Bahia, admirada por jornalistas, intelectuais, pela classe teatral e por representantes das mais diversas vertentes culturais. A atriz teve uma vida livre e cosmopolita, viajou pelo mundo, atuou em radionovelas na BBC de Londres e participou de alguns dos filmes mais importantes do cinema brasileiro, como “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), “Tenda dos Milagres” (1977) e “Eu, Tu, Eles” (2000).
A artista construiu uma carreira marcante, tendo atuado em nada menos que 50 peças teatrais, dezenas de obras cinematográficas e trabalhos na TV. Nilda Spencer foi ainda a primeira mulher a dirigir uma escola de teatro de ensino superior no país (a Escola de Teatro da UFBA). Consagrou-se, sobretudo, como uma artista genuinamente popular.
SOBRE O AUTOR
A peça Nilda dá continuidade ao trabalho constante do jornalista, escritor e professor, Marcos Uzel, em defesa da memória cultural, sempre com interesse no teatro, percurso do qual fazem parte vários livros de sua autoria, focados na história das artes cênicas baianas.
Obras como Teatro na Bahia: 80 críticas, a biografia Nilda – A dama e o tempo, Poéticas de Marcio Meirelles e O Teatro do Bando (biografia do Bando de Teatro Olodum) compõem esse repertório.
Marcos Uzel tem pós-doutorado em artes cênicas pela UFBA, onde obteve os títulos de doutor e mestre em cultura e sociedade. Atualmente, cursa na mesma universidade o seu segundo doutorado, desta vez na Escola de Teatro.





Quem tem um texto traduzido por Nilda Spencer, chamado de dia de ausência.