Pioneira das guitarras influenciou nomes que vão de Elvis Presley até Keith Richards
Muitos chamam Elvis Presley de “rei do rock”, ou citam Jerry Lee Lewis e Johnny Cash como pioneiros. Mas a história que poucos conhecem é que a criação do gênero veio ainda antes deles, com uma mulher negra: Sister Rosetta Tharpe, na primeira metade do século XX.
Nos anos 1920, ela era uma das poucas pessoas pretas a tocar guitarra. Ao chegar a Chicago, Rosetta ficou fascinada com o Jazz e o Rhythm and blues (R&B) e quis apresentá-los na igreja.
Misturando elementos da música Gospel com características bem próprias e um jeito de tocar todo seu, a artista criou estilos que mergulhariam no que viria a ser o R&B, e passou a ter uma relevância ímpar entre os fãs de música.
Ao final de 1944, ela gravou sua versão para “Strange Things Happening Every Day”, uma canção tradicional entre os negros que viviam nos Estados Unidos, e dali entrou para a história após o seu lançamento em 1945.
Isso porque a canção foi popularizada pela sua gravação e há muita gente quem crave que esse é o primeiro som do Rock And Roll gravado em estúdio em toda história.
Biografia:
Filha de pais que trabalhavam nas fazendas de algodão do Sul dos Estados Unidos, Rosetta Nubin (ou Rosether Atkins, de acordo com pesquisas a respeito de sua história) tinha um talento que foi percebido bastante cedo.
Tanto seu pai quanto sua mãe eram cantores, e Rosetta acompanhou a segunda em apresentações religiosas onde foi se tornando cada vez mais parte da comunidade Gospel, que inclusive nunca chegou a abandonar.
Ao falar sobre sua influência em uma lista com os maiores artistas negros da história dos EUA, o site Cleveland.com (baseado na cidade onde fica o Hall da Fama do Rock And Roll) cravou:
Sister Rosetta Tharpe ligou uma guitarra elétrica ao final dos Anos 30 e se tornou uma rock star antes que os homens considerados pioneiros do rock and roll sequer sonhassem com isso.
Ela é a ‘Madrinha do Rock And Roll’ que influenciou todos os músicos tradicionalmente identificados como fundamentais na criação do gênero durante os Anos 50.
Ainda assim, quando perguntada sobre o Rock, ela dizia que não via diferença entre o estilo e uma versão mais rápida do R&B:
Ah, esses garotos e o rock and roll. Isso é só Rhythm And Blues tocado mais rápido. Eu toco isso desde sempre.
Em 1970, quando ainda se apresentava, Tharpe teve um AVC e teve que amputar uma perna por conta de complicações da diabetes.
Rosetta Tharpe foi uma inspiração para alguns dos nomes que ficaram mundialmente conhecidos, porém, não obteve o reconhecimento devido, nem em vida, tampouco após a morte. Faleceu em 1973, aos 58 anos, depois de ter sofrido dois acidentes vasculares.
A “rainha do rock” foi sepultada em um túmulo sem identificação, em um cemitério da Filadélfia, no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e somente em 2008 que um grupo de pessoas fez um show beneficente com objetivo de comprar uma lápide para identificar que o corpo da artista estava enterrado ali.
E foi apenas em 2022, 45 anos depois de seu falecimento, que o nome da Sister Rosetta Tharpe foi colocado no Hall da Fama do Rock. Além disso, o governo da Filadélfia também instituiu o dia 11 de janeiro como a data para homenageá-la.




