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5 livros com a temática LGBTQIAP+ para entender porque precisamos visibilizar a todes

O Portal Umbu convidou o Livreiro do Ano, Heider Oliveira para indicar 5 livros com a temática LGBQIAP+

A comunidade LGBTQIAP+ representa cerca de 9,3% da população brasileira, segundo a Pesquisa do Orgulho realizada pelo Instituto Datafolha. Para o instiuto de pesquisas, o porcentual de pessoas LGBTQIAP+ pode estar subnotificado, isso porque, 8% das pessoas entrevistadas não quiseram responder essa questão. A população LGBTQIAP+ é formada por pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexo, assexuadas, pansexuais, não binárias e mais.

Junho é o mês em que a comunidade celebra o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAP+ (28/06), data que marca um confronto ocorrido entre policiais e manifestantes ocorrido em 28 de junho de 1969, no clube gay Stonewall Inn, em Nova York. Na época, as leis contra homossexuais eram muito rígidas.

54 anos depois, a população LGBTQIAP+ ainda enfrenta vários desafios como, por exemplo, exclusão, preconceito, violência, dificuldades de inserção no mercado de trabalho, etc. Uma forma de comunicar esses desafios é através da literatura, isso porque, o livro é um instrumento poderoso para ler as questões da sociedade contemporânea. Pensando nisso, o Portal Umbu convidou o Livreiro do Ano, Heider Oliveira para indicar 5 livros com a temática LGBQIAP+.

Em abril de 2023, Heider foi escolhido Livreiro de Ano pelo Prêmio Catavento, categoria do Prêmio PublishNews, pelo trabalho desenvolvido na Livraria LDM. No espaço, o jovem atua como mediador e curador do clube de leitura da LDM do Shopping Paseo. Confira as sinopses das indicações de Heider:

L – The Stone Wall – Mary Casal:
Mary Casal nasceu em 1864 e na infância começou a sofrer abusos sexuais, geralmente por parte de parentes ou professores, que se estenderam até a idade adulta. Desde a adolescência, Mary sentia-se privada dos direitos dos garotos mas, sujeitando-se as normas sociais, casou e tentou ser mãe. Depois de perder o segundo filho, assumiu sua identidiade autência enfrentando o conservadorismo da sociedade estadunidense. Mary casou-se com outra mulher, um século antes do casamento entre pessoas do mesmo sexo ser legalizado. Mary Casal foi uma empreendedora, artista, pioneira na educação sexual dos jovens. Aos 65 anos, escreveu suas memórias, um relato sincero e corajosa, abrindo portas e janelas para a diversidade.

G – homens de verdade – Mohamed mbougar sarr:
Quando um vídeo viral, no Senegal,onde um cadáver de um homem é desenterrado e arrastado para fora de um cemitério por uma multidão. Assim que o vê, nasce um interesse em Ndéné Gueye, um jovem professor de Letras decepcionado com o ensino e cansado da hipocrisia moral da sua sociedade, quase uma obsessão por este acontecimento. Quem foi este homem? Por que seu corpo foi exumado? A essas perguntas, apenas uma resposta: ele era um Goor-Jigéen, um “homem-mulher”. Em outras palavras, um homossexual: pecado final, culpa absoluta em um país onde a religião governa os costumes e as relações sociais. As discussões de Ndéné com sua amante, Rama e alguns encontros com Maniang Niang, travesti, estrela brilhante do folclore local; com Demba, um jovem garçom, vão aos poucos o ajudando a entender, em um contexto social cada vez mais tenso, a realidade da condição dos homossexuais no Senegal. Enquanto ao seu redor nascem suspeitas e boatos, Ndéné tenta enfrentar a única grande questão que lhe vale a pena: como encontrar a coragem de ser plenamente ele mesmo, sem se trair ou mentir. Homens de verdade, de Mohamed Mbougar Sarr, se revela um romance essencial para se pensar o cerceamento da liberdade em algumas sociedades, assim como, o incontornável, universal e inevitável encontro consigo mesmo.

B – O quarto de Giovanni – James Baldwin:
Segundo romance de Baldwin, “O Quarto de Giovanni” é um clássico da literatura estadunidense. Com toques autobiográfico, o livro acompanha a relação bissexual do jovem David em Paris à espera de sua namorada, Hella, que está na Espanha. Enquanto ela questiona se casa ou não com David, ele conhece Giovanni, um garçom italiano por quem se apaixona. No Brasil, o livro é editado pela Companhia das Letras, com tradução de Paulo Henrique Britto, apresentação de Colm Tóibín e posfácio de Hélio Menezes.


T – O parque das irmãs magníficas – Camilla Sosa Vilada:
Da argentina Camila Sosa Villada, “O parque das irmãs magníficas” é um livro de amor e afeto. Quando chegou à cidade de Córdoba para estudar na universidade, a autora decidiu ir ao Parque Sarmiento a noite. Estava morta de medo, pensando que poderia se concretizar a qualquer momento o brutal veredito que havia escutado de seu pai: “Um dia vão bater nessa porta para me avisar que te encontraram morta, jogada numa vala”. Para ele, esse era o único destino possível para um rapaz que se vestia de mulher. Camila queria ver as famosas travestis do parque, e lá, diante daquelas mulheres e da difícil realidade a que são submetidas, foi imediatamente acolhida e sentiu, pela primeira vez em sua vida, que havia encontrado seu lugar de pertencimento no mundo. O romance é um rito de iniciação, um conto de fadas ou uma história de terror, o retrato de uma identidade de grupo, um manifesto explosivo, uma visita guiada à imaginação da autora.

° Garota, mulher, outras – Bernardine Evaristo:
O romance britânico venceu o Booker Prize em 2019 e é recomendado por nomes como Obama, Roxane Gay, Ali Smith e Tom Stoppard e incluído nas listas de melhores livros do ano por jornais como o The Guardian, Time, The Washington Post e The New Yorker. A forma, por si só, não é nada convencional: trata-se de um gênero híbrido, composto de versos livres e sem pontos-finais. O resultado é uma dicção singular e envolvente, que prende o leitor da primeira à última página.
O pano de fundo dessas histórias é uma Londres dividida e hostil, logo após a votação do Brexit: um lugar onde as pessoas lutam para sobreviver, muitas vezes sem esperança, sem que as suas necessidades sejam atendidas e sem que sejam ouvidas. Nesse ambiente opressor, as vozes de Garota, mulher, outras formam um coro e levantam reflexões poderosas sobre o machismo, o racismo e a estrutura da sociedade.

Anotou essas dicas? Boa leitura!

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