Deputada é apontada como mandante do crime. Hacker invadiu site e inseriu documentos falsos, como um falso mandado de prisão contra Alexandre de Moraes

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o hacker da ‘Vaza-Jato’, Walter Delgatti Neto, no âmbito das investigações da invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrido entre novembro de 2022 e janeiro de 2023.
Segundo informações da jornalista Julia Dualibi, do Globo News, Zambelli foi denunciada como mandante da invasão e está sendo denunciada pela prática de 10 crimes:
7 crimes do artigo 154-A e par. 2 do Código Penal (CP) (invasão de dispositivo informático);
3 crimes do artigo 299 do CP (falsidade ideológica), por terem inserido documentos ideologicamente falsos no sistema informático.
Conforme o texto da denúncia, além da deputada, o hacker foi apontado como responsável por invadir o portal do colegiado e inserir documentos falsos como um mandado de prisão contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), assinado pelo próprio magistrado.
“Zambelli comandou a invasão a sistemas institucionais utilizados pelo Poder Judiciário, mediante planejamento, arregimentação e comando de pessoa com aptidão técnica e meios necessários ao cumprimento de tal mister, com o fim de adulterar informações, sem autorização expressa ou tácita de quem de direito”, diz um trecho da denúncia assinada por Gonet.
O documento aponta ainda que os ambos “buscavam obter vantagem de ordem midiática e política, que adviria do projeto de desmoralização do sistema de Justiça”.
Delgatti disse à Polícia Federal que Zambelli foi responsável por redigir o falso mandado, mas a política negou. O hacker também colocou no sistema uma falsa quebra de sigilo das contas bancárias do ministro.
Até o momento, Carla Zambelli e Walter Delgatti Neto não se manifestaram sobre a denúncia da PGR.



