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Vozes que Conectam: Seminário em Salvador debateu o futuro da comunicação e a integridade da informação

Evento realizado pela Associação Comercial da Bahia e AC Comunicação reuniu especialistas para discutir a chegada da TV 3.0 e os desafios da desinformação em um cenário de polarização.

Foto: Italo Pacheco

O Salão Nobre da Associação Comercial da Bahia (ACB) foi palco, na manhã desta quinta-feira (4), do seminário “Vozes que Conectam”, um encontro que reuniu profissionais e especialistas para debater o futuro e a relevância da comunicação. O evento, realizado em parceria com a AC Comunicação, que celebra 30 anos de trajetória, abordou temas cruciais como a revolução da TV 3.0 e a urgência da integridade da informação.

André Curvello, diretor da AC Comunicação e ex-secretário de Comunicação do estado da Bahia, destacou que o evento nasceu como uma provocação para a sociedade refletir sobre o papel da comunicação no dia a dia. Para ele, em meio à velocidade imposta pela tecnologia, a integridade da informação muitas vezes é esquecida. “A comunicação com integridade ajuda a fortalecer, a construir sua reputação e a se proteger, principalmente da desigualdade de informação, um caminho que leva às fake news e que sai destruindo famílias e instituições”, afirmou Curvello. Ele defendeu a desaceleração e a adoção de mais critério como ferramentas essenciais no combate à desinformação, concluindo que “se a gente não combater a fake news, a gente está contribuindo para que o mal vença o bem”.

Já a presidente da Associação Comercial da Bahia, Isabela Suarez, afirmou que a instituição segue de portas abertas para temas relevantes para a sociedade. “Essa casa, mais uma vez, cumpre o papel dela, o papel de diálogo, o papel de conectar ideias e o papel de mostrar todos os lados, tanto da política quanto da economia, não só para a Bahia, mas também para o Brasil”, acrescentou.

TV 3.0: A reinvenção da mídia e da publicidade

O primeiro painel, com o tema “A TV 3.0 e a Comunicação Hoje e Amanhã”, mergulhou nas inovações que prometem revolucionar a experiência do telespectador. A mediação foi de André Dias, Superintendente de Rede da Record e Vice-Presidente de Televisão da Abratel. O debate contou com as contribuições de Flávio Resende, diretor-geral do Grupo Bandeirantes; Mário Kertész, radialista e comunicador; Fernando Barros, presidente do Conselho da Propeg; e Robson Galiano, engenheiro e especialista em transformação digital.

Flávio Resende, diretor-geral do Grupo Bandeirantes, esclareceu que, ao contrário da transição para o digital, a adesão à TV 3.0 não será obrigatória, mas representará um marco para a radiodifusão. Ele ressaltou um dado fundamental: “Aproximadamente 69% do conteúdo consumido no Brasil provém da TV aberta. Independentemente da plataforma de exibição, a TV aberta é a fonte primária de conteúdo nacional”.

Complementando a visão, o especialista Robson Galiano apontou que a futura TV será mais interativa, assumindo um formato com múltiplas linguagens e qualidade de imagem superior à atual. Essa mudança, segundo ele, impactará diretamente a publicidade, que passará a ser mais segmentada por geolocalização, forçando o mercado a se reinventar.

A perspectiva foi reforçada por Fernando Barros, presidente do Conselho da Propeg. Para ele, os profissionais terão que “reaprender todos os dias”. Ele relembrou uma época em que se criavam poucas campanhas para públicos distintos dentro da mesma cidade, com a TV 3.0, previu Barros, a complexidade será ainda maior, exigindo talvez “10 ou 20 ações para atender esses públicos diversos”.

Integridade da informação: A batalha contra o “mal do século”

Na sequência, o painel “O que a integridade da informação tem a ver com nossa vida” abordou o combate à desinformação. A discussão foi conduzida pelo mediador Marcos Machado (Diretor-presidente da Rede Bahia) e composta por Wendel Palhares (Secretário de Comunicação de Alagoas), Marcus Vinicius Di Flora (Secretário de Comunicação do governo da Bahia) e Renato Salles (sócio e líder da área pública da FSB Holding).

Marcus Di Flora posicionou o estado como um “espaço de resistência, de transformação e de inovação” contra o lado negativo da tecnologia. Ele destacou o poder desagregador da desinformação e defendeu a união da sociedade civil e das instituições para criar pactos e resistir. O secretário foi enfático ao defender a regulamentação das plataformas digitais: “Elas precisam estar sob o controle da sociedade e não o contrário, a sociedade sob o controle delas”.

Wendel Palhares, Secretário de Comunicação de Alagoas, trouxe à tona o “dano real” causado pela desinformação. Ele alertou que a violência informacional não atinge apenas o alvo direto, mas expõe famílias inteiras, e que por trás de cada ataque quase sempre se escondem interesses políticos e financeiros.

Trazendo a visão corporativa, Renato Salles, da FSB Holding, lembrou que a “reputação é um ativo construído em décadas, mas vulnerável em segundos”. Para ele, todas as empresas hoje são também empresas de comunicação. Salles propôs soluções práticas para o novo risco corporativo, como adotar políticas de transparência ativa, construir protocolos de verificação interna e preparar as empresas para responder de forma correta.

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