
A última década foi a mais quente já registrada no planeta, segundo dados divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). O levantamento consolida informações de diferentes bases climáticas globais e reforça o avanço acelerado do aquecimento global.
De acordo com o relatório, os anos mais recentes concentram os maiores registros de temperatura desde o início das medições modernas. Apenas entre 2023 e 2025, o planeta viveu a sequência mais quente da história, com todos os conjuntos de dados analisados apontando esse período como o mais intenso em termos de calor. O estudo também indica que 2025 ficou entre os anos mais quentes já registrados, mesmo sob influência do fenômeno La Niña, que costuma ter efeito de resfriamento.
Outro dado que preocupa os cientistas é a elevação da temperatura média global em relação ao período pré-industrial. Pela primeira vez, o planeta registrou um período contínuo de três anos com temperaturas acima de 1,5°C, limite estabelecido pelo Acordo de Paris como referência para evitar impactos mais severos das mudanças climáticas.
Especialistas alertam que, embora esse patamar ainda não represente um ponto de ruptura imediato, cada fração adicional de aquecimento aumenta a intensidade e a frequência de eventos extremos, como ondas de calor, tempestades e inundações.
Atualmente, o aquecimento médio de longo prazo já gira em torno de 1,4°C acima dos níveis pré-industriais, o que indica que o mundo está próximo de ultrapassar de forma permanente o limite considerado mais seguro.
O avanço das temperaturas tem sido acompanhado por uma intensificação de fenômenos climáticos extremos em diversas regiões do planeta. Em 2025, incêndios florestais, enchentes e tempestades severas foram registrados com maior frequência e intensidade. Além disso, o aquecimento dos oceanos atingiu níveis recordes, contribuindo para o aumento do nível do mar e para a formação de eventos climáticos mais intensos.
Segundo a OMM, o principal fator por trás desse cenário é a emissão de gases de efeito estufa, resultante principalmente da queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás.
Apesar dos alertas, especialistas avaliam que ainda é possível limitar os impactos mais graves das mudanças climáticas, desde que haja redução rápida e consistente das emissões. No entanto, projeções indicam que o limite de 1,5°C pode ser ultrapassado de forma duradoura antes de 2030, caso o ritmo atual de aquecimento seja mantido.



