Presidente norte-americano lança iniciativa de transferência direta de renda financiada por tarifas de importação, mas corta pela metade verba do principal programa de auxílio alimentar do país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um programa de distribuição de renda nos moldes do Bolsa Família, que prevê o pagamento de US$ 2 mil por pessoa a famílias de baixa e média renda, excluindo os grupos de maior poder aquisitivo. Segundo o governo, os recursos virão das tarifas impostas sobre produtos importados, que vêm gerando receitas recordes para o Tesouro norte-americano.
De acordo com a Casa Branca, os pagamentos começarão nas próximas semanas, e a expectativa é de que o novo programa beneficie milhões de norte-americanos. Em postagem nas redes sociais, Trump afirmou que os Estados Unidos “são agora o país mais rico e respeitado do mundo, com quase nenhuma inflação e recorde no mercado de ações”. O presidente destacou ainda que as tarifas estão rendendo “trilhões” de dólares e permitirão “devolver o dinheiro ao povo americano”.

“As pessoas que são contra as tarifas são IDIOTAS! Agora somos o país mais rico e respeitado do mundo, com quase nenhuma inflação e um preço recorde no mercado de ações. Os planos 401k estão no nível mais alto do que nunca. Estamos arrecadando trilhões de dólares e em breve começaremos a pagar nossa ENORME DÍVIDA de US$ 37 trilhões. Investimento recorde nos EUA, fábricas e usinas sendo construídas por todo o país. Um dividendo de pelo menos US$ 2.000 por pessoa (sem incluir pessoas de alta renda!) será pago a todos”, escreveu Donald Trump em sua rede social, Truth Social.
O anúncio ocorre em meio à redução de recursos para o principal programa federal de auxílio-alimentação, o SNAP (Programa de Assistência Nutricional Suplementar), que atende cerca de 42 milhões de pessoas. O governo informou que vai financiar apenas metade dos pagamentos previstos para novembro, usando fundos de emergência após o impasse no Congresso travar a aprovação do orçamento.
Analistas apontam contradição nas medidas: enquanto o governo amplia uma iniciativa de redistribuição direta de renda, corta pela metade um programa que garante a segurança alimentar de milhões de cidadãos em situação de vulnerabilidade. Segundo a imprensa americana, os valores emergenciais disponíveis cobrem apenas 50% do total necessário para manter o SNAP até o fim do mês.
Críticos da nova política econômica também questionam a sustentabilidade do plano, já que a arrecadação por meio de tarifas pode ser instável e gerar impacto sobre o consumo e a inflação. Para especialistas, o programa representa uma tentativa de fortalecer a popularidade de Trump ao aproximar o discurso do bem-estar social, sem ampliar gastos públicos financiados por endividamento.
O governo, por sua vez, defende que as tarifas elevadas sobre importações reequilibram o comércio internacional e incentivam a reindustrialização do país, com o retorno de empresas e empregos para território americano. A estratégia, porém, enfrenta questionamentos legais, e a Suprema Corte já começou a analisar a constitucionalidade da medida.



