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Senadora Soraya Thronicke critica encenação de aborto no Senado

Na segunda-feira, a contadora de histórias Nyedja Gennari fez uma encenação antiaborto, transmitida ao vivo pela TV Senado

Foto: Pedro França/Agência Senado

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) criticou, nesta terça-feira (18), o debate e a encenação antiaborto realizado no dia anterior no Senado. A Congressista disse que queria o contato da contadora de histórias para pedir para ela fazer uma cena de estupro no plenário. “Quero ver ela encenando a filha, a neta, a mãe, a avó, a esposa de um parlamentar sendo estuprada”, desafiou a congressista.

Na segunda-feira (17), durante debate no Senado sobre o procedimento de assistolia fetal, usado na interrupção da gravidez nos casos de aborto previstos em lei, a contadora de histórias Nyedja Gennari fez uma encenação antiaborto, transmitida ao vivo pela TV Senado. A cena teve grande repercussão e foi alvo de críticas.

“Eu queria até o telefone, o contato, daquela senhora que esteve aqui ontem, encenando aquilo que nós vimos”, disse Thronicke. “Sabe por quê? Porque eu quero ver ela encenando a filha, a neta, a mãe, a avó, a esposa de um parlamentar sendo estuprada. […] Se encenaram um homicídio aqui ontem, que encenem o estupro”, desafiou.

“Pergunto para vocês: se é a filha de um parlamentar aqui, com 10 anos, com 11 anos, com 18 anos, com 20 anos, que é estuprada, esse parlamentar, diante de um flagrante delito, é obrigado a denunciar. Ele vai fazer o quê? Vai denunciar a filha para 20 anos de cadeia?”, questionou a senadora.

“E se a mulher de um parlamentar for estuprada e engravidar? Se essa mulher engravidar, então este parlamentar vai fazer o quê? Vai levar a termo a gestação. […] Ele vai acompanhar a gravidez decorrente do estupro na esposa dele e vai dar toda a atenção. No dia em que nascer, ele vai escolher se assume essa criança ou se ele a dá para a adoção”, completou.

A senadora citou que o SUS (Sistema Único de Saúde) “banca a vasectomia para quem quiser fazer”, pois “ninguém delibera sobre o corpo dos homens”.

Thronicke concluiu dizendo que é contra o aborto, assim como o Estado brasileiro, que autoriza o procedimento em “3 raras exceções”. São elas: quando a gestação é resultado de um estupro, para salvar a vida da mulher e em gravidez de feto anencefálico.

“O aborto é proibido no nosso país, com três exceções dificílimas: o feto anencéfalo, risco de morte da mãe e o estupro. E não é obrigada a abortar quem foi estuprada e por acaso engravidou. Vai quem quer, de acordo com a sua fé, com a sua consciência. Por quê? Porque o Estado é laico. E, justamente, quem tanto fala em liberdade quer tolher a liberdade alheia, quer impor a sua fé. Um verdadeiro fundamentalismo! Isso é ditadura. Então, é tão contraditório que chega a ser vergonhoso”, declarou.

A senadora rechaçou o PL 1.904/2024 e defendeu a legislação atual: “É crime abortar, porém não se penaliza, é diferente. Continua cometendo um crime, mas não se penaliza porque o fato de ter sido estuprada já é dor suficiente para a pessoa”.

Com informações de Agência Senado e Poder 360

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