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Seis casos de doença de chagas foram confirmados após consumo de caldo de cana caseiro

Um alerta de saúde foi emitido na Bahia após a confirmação de seis casos de Doença de Chagas com transmissão por via oral. A Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) rastreou a origem da infecção e indicou o consumo de caldo de cana (garapa) produzido de forma caseira como provável fonte de contaminação.

A doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, é tradicionalmente ligada ao inseto barbeiro. No entanto, a via de transmissão oral, por meio de alimentos contaminados, tem se destacado em surtos no Brasil, respondendo por uma parcela significativa dos casos agudos.

Risco na Produção Caseira

A contaminação do caldo de cana ocorre quando o barbeiro, ou suas fezes contendo o parasita, é moído junto com a cana-de-açúcar. O barbeiro costuma se alojar no colmo (caule) da cana, e a falta de higiene adequada antes da moagem torna o alimento um vetor perigoso.

Segundo a Sesab, o caldo de cana que causou a infecção dos seis pacientes foi produzido na residência das vítimas.

Situação Clínica e Acompanhamento

Dos seis casos confirmados:

Um paciente necessitou de internação, mas seu quadro foi avaliado como sem gravidade.

Os outros cinco apresentaram alterações eletrocardiográficas (mudanças no exame que avalia a saúde do coração), mas sem manifestação de sintomas clínicos mais graves imediatos.

Todos os indivíduos diagnosticados estão sob monitoramento da Sesab e recebendo o tratamento específico para a Doença de Chagas. O período de incubação da doença por via oral varia de 3 a 22 dias, e na fase aguda, os sintomas podem incluir febre prolongada (mais de 7 dias), dor de cabeça, fraqueza intensa e inchaço no rosto e pernas.

Alerta e Prevenção

A Secretaria de Saúde reforçou a importância da suspeita clínica para a Doença de Chagas no estado e emitiu recomendações para a população e produtores:

Higienização Rigorosa: Lavar e inspecionar cuidadosamente a cana-de-açúcar antes de submetê-la à moagem.

Procedência: Evitar consumir caldo de cana e outros alimentos de risco (como o açaí) sem procedência ou em locais onde as condições de higiene e preparo sejam duvidosas.

Monitoramento: A Sesab continua monitorando a evolução dos casos e as ações de prevenção.

A infecção oral pela Doença de Chagas pode ser mais agressiva do que a vetorial clássica. Se não tratada na fase aguda, a doença pode evoluir para a fase crônica, podendo levar a complicações cardíacas (insuficiência cardíaca) e problemas digestivos graves (como megaesôfago e megacólon) anos depois.

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