Evento aconteceu no Pátio da Barroquinha entre os dias 22 e 24 de novembro
O Festival Salvador Capital Afro, realizado entre quarta-feira (22) e sexta-feira (24), trouxe uma abordagem única, apresentando conteúdos que destacam experiências turísticas autênticas e validam narrativas que fortalecem a identificação tanto de moradores, quanto de turistas. A missão é transformar a cidade em um ponto de encontro, promovendo a reconexão com nossas raízes ancestrais. Essa visão é impulsionada por iniciativas colaborativas, buscando construir um diálogo contínuo com a sociedade.
Na última sexta-feira (24), a programação estava recheada de informações relevantes para a população negra. A tarde começou com o talk “Processos Criativos Conectando a Cultura Preta Global: A case Afropunk” e contou com a presença de Sango (Diretor Criativo Global do Afropunk), João Gabriel Mota (Coordenador de Conteúdo do Afropunk Brasil) e mediação da especialista em marketing, Isabel Aquino.
A conversa girou em torno de como o Afropunk se tornou um grande festival e de que forma a comunicação estratégica fez com que todo o processo se tornasse único. Para João Gabriel, a realização do evento aqui na Bahia foi pensada para atingir os mais diversos públicos, desde o turista que chegaria no aeroporto, até o jovem que passa pela catraca dos metrôs. “Cada ponto de comunicação vai ser traduzido e pensado em um determinado público. É um público para o outdoor, é um público do out of home, vai ser um público do anúncio no Instagram. É perceptível que são públicos diferentes e cada um tem que sentir naquele festival um ponto de aproximação”, afirma João.
Além de discutir as formas de comunicação estratégica do evento, também é importante saber quem estava por trás dos palcos, fazendo todo o festival acontecer. Mais uma vez, quem sustenta os grandes festivais é a população preta, afinal é um lugar pensado por eles e para eles. “No ano passado, fizemos uma pesquisa pós-festival para, realmente, ter esses números quantitativos. Da equipe do festival em 2022, 90% que se autodeclaram preto ou pardo, 88% das lideranças são femininas e 84% a 85% são profissionais baianos. E em cargos de liderança, todos são baianos. Acho que, no máximo, uma ou duas pessoas que não são. Majoritariamente negro e majoritariamente mulher.”
Ainda pensando sobre empregabilidade e formas de acolhimento e renda para a população negra, o painel “Aquilombamentos Culturais” foi de grande valia para fechar a programação de bate-papos. A mediação ficou por conta de Stéfane Souto (Coordenadora Secult), junto com ela estavam Jaqueline Fernandes (Festival Latinidades), Karla Danitza (Enegrecer a Gestão Cultural) e Lázaro Roberto (Zumvi Arquivo Afro Fotográfico). Os discursos foram pautados não só nos projetos individuais dos convidados, mas em todo contexto populacional de aquilombamento e afetividade preta.
Karla Danitza trouxe a problemática de pensar nesses pequenos quilombos como formas de fortalecimento negro contra o capitalismo, racismo e invisibilizações sociais que atingem a população negra da Bahia e do Brasil. “Sempre tem uma reflexão sobre esse lugar do indivíduo e o lugar do coletivo e sobre como que a gente se movimenta dentro dessa proposta. Eu queria falar um pouco sobre uma realidade social que vai nos empurrando, que é a realidade capitalista em que a gente vive, que vai nos empurrando para um sentido de indivíduo único. Não nas suas subjetividades, nas suas singularidades e nas suas potencialidades, mas no indivíduo do topo. Daquele que ocupa um espaço e a luta já tá vencida”, destaca a convidada.
E conclui: “Como as discussões que eu tento trazer, e que eu estou presente nelas, sobre como estar mais presente dentro dos espaços vai dizer sobre toda uma trajetória individual, no sentido dos lugares de onde eu vim, de como eu construí minhas subjetividades. Mas para que ele exista dentro desses espaços, eles só vão conseguir existir, se ele for no coletivo. Ele não vai conseguir existir por um longo tempo se for só na perspectiva do indivíduo porque somos alvo. Somos alvo de questionamentos, somos alvo de violências, somos alvos de não-existência, de apagamentos. Então quando eu penso, a partir do lugar de onde eu construo essa iniciativa e essa discussão, é: um movimento indivíduo-coletivo, indivíduo-coletivo, o tempo todo. Não dá para ser de outra maneira.”
Para além das rodas de conversa, a programação contou com showcases, uma forma para os artistas apresentarem a sua performance musical para o público, plataformas, players e empresas presentes. Mas não para por aí: neste sábado (25) terá um desfile de blocos afro e de afoxés no centro da cidade, trazendo toda a magia e tradição que costumamos vivenciar no Carnaval. A saída será na Casa D’Itália e Praça Municipal a partir das 14 horas. Para conferir a programação completa, acesse:
Salvador Capital Afro – Onde Pulsa Salvador, desperta África ou o Instagram: @salvadorcapitalafro.
Foto: Adriane Rocha




