...

Portal UMBU

Revolta: Após 10 anos, policiais acusados do homicídio de Claudia Ferreira são absolvidos

Caso gerou grande comoção e indignação, principalmente devido à brutalidade do ocorrido e à falta de assistência imediata à Claudia por parte dos policiais

Foto: Reprodução

Em 2014, Claudia Silva Ferreira, mulher negra e auxiliar de serviços gerais, foi morta após uma série de violências que revelam não a ausência, mas a presença do Estado.

Baleada por policiais durante uma operação, a moradora que havia saído apenas para comprar pão no Morro da Congonha, em Madureira, Rio de Janeiro, foi jogada no camburão de uma viatura. Amarrada, ela teve o corpo arrastado ao longo de 350 metros na Estrada Intendente Magalhães, na Zona Norte do Rio. As imagens do caso revelaram, à época, a desumanização a que Claudia foi submetida até sua morte.

A investigação da Polícia Civil concluiu que o tiro que atingiu Claudia partiu do ponto onde estavam os policiais. Segundo o juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 3ª Vara Criminal, no momento em que foi baleada, os PMs trocavam tiros com traficantes. “Os acusados agiram em legítima defesa para repelir a injusta agressão provocada pelos criminosos, incorrendo em erro na execução, atingindo pessoa diversa da pretendida”.

Diante do conjunto probatório existente nos autos, infere-se que os acusados agiram em legítima defesa”, diz trecho da sentença, sobre o tiro em Claudia.

Foram absolvidos pelo crime de fraude processual, sob a acusação de terem removido o corpo de Claudia para modificar a cena do crime, os subtenentes Adir Serrano e Rodney Archanjo. Segundo o magistrado, “eles tentaram socorrer a vítima de imediato, em que pese vários populares agirem de modo a impedir o socorro“.

O caso gerou grande comoção e indignação, principalmente devido à brutalidade do ocorrido e à falta de assistência imediata à Claudia por parte dos policiais. As imagens do momento em que ela foi arrastada pela viatura, enquanto moradores tentavam intervir, causaram revolta e levantaram questionamentos sobre a conduta da polícia e a impunidade em casos de violência policial.

Entre os agentes acusados estavam o capitão Rodrigo Medeiros Boaventura, que comandava a patrulha, e o sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno. Após a absolvição, Boaventura foi nomeado superintendente na Vice-Governadoria do estado. Já Bueno permanece na Polícia Militar, apesar de ter sido preso anteriormente sob acusação de integrar uma milícia na Zona Norte do Rio.

Além dos agentes acusados do homicídio, outros policiais foram absolvidos do crime de fraude processual, sob a acusação de terem removido o corpo de Claudia para modificar a cena do crime.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado

POSTS RELACIONADOS