A reforma no Imposto de Renda, que amplia a faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês, trouxe um alívio aguardado há anos pela classe trabalhadora. A medida foi anunciada como parte do novo relatório apresentado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, e representa um avanço importante para milhões de brasileiros e brasileiras que vivem nas periferias, favelas e comunidades do país.

Segundo o projeto original do governo, pessoas que recebem até R$ 5.000 mensais ficam totalmente isentas do IR. Esse é o principal destaque da proposta e deve beneficiar diretamente uma parcela significativa da população periférica, composta por trabalhadores informais, autônomos e CLTs com pouca renda
Lira também ampliou a faixa com tributação reduzida (isenção parcial) de R$ 7.000 para R$ 7.350 mensais, mirando na chamada “classe média baixa”. Estima-se que essa mudança beneficie cerca de 500 mil pessoas. Embora promissora, ela ainda deixa fora quem ganha entre esse valor e R$ 10 mil – muitos profissionais das periferias — como motoristas de aplicativo, auxiliares e pequenos comerciantes.
Para financiar essas isenções, foi mantida a cobrança de 10% sobre rendas anuais superiores a R$ 1,2 milhão. O projeto estabelece ainda uma alíquota progressiva para quem ganha entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão, com cobrança subindo até 10%. Porém, nas últimas negociações, surgiu a possibilidade de reduzir essa alíquota para 9% ou até 8%, gerando críticas de que os mais ricos estariam sendo beneficiados.
O que isso representa nas favelas?
Benefícios indiretos: Trabalhadores com renda até R$ 5.000 terão mais liquidez mensal, o que pode aliviar gastos com alimentação, transporte e educação.
Recursos reduzidos para serviços públicos: A renúncia fiscal prevista em 2026 é de R$ 25,8 bilhões, com previsão de arrecadação de R$ 34 bilhões junto aos muito ricos — mas a possível redução da alíquota mínima pode diminuir essa compensação. Isso pode impactar diretamente investimentos em saúde, educação e infraestrutura nas periferias.
Limitado efeito redistributivo: Apesar das isenções, a maioria dos recursos continua concentrada no topo, onde vivem menos pessoas. Já para quem ganha de R$ 7 mil a R$ 10 mil, a carga tributária segue esmagadora; essa parcela também sustenta boa parte da economia periférica.
Panorama e perspectivas:
O texto aguarda votação na Comissão Especial ainda antes do recesso parlamentar de julho, com previsão de ir a plenário em agosto.
Debates futuros podem incluir alternativas como tributação sobre dividendos, ou ajustes no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que também afetam quem vive das finanças informais.
A tendência de diminuir a alíquota dos super‑ricos pode ser revertida na pressão parlamentar, mas isso dependerá do equilíbrio político entre centro‑direita e centro‑esquerda — sempre com foco nos efeitos sobre os mais vulneráveis.
Para as populações das periferias, é fundamental acompanhar como serão reinvestidos os recursos gerados pelas novas medidas. A isenção sobre baixos salários é bem-vinda — mas se não for acompanhada por salvaguardas que garantam mais dinheiro para os serviços públicos que já diminuíram nos últimos anos, o alívio imediato pode se transformar em escassez de longo prazo.
Com informações do Portal ANF.



