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Racismo, misoginia e interseccionalidade nas redes sociais

Foto: Freepik

Segundo pesquisa realizada pelo Observatório Racismo nas Redes, do Aláfia Lab, intitulada “Brasil, mostra tua cara: retrato das vítimas de racismo online e o anonimato de seus agressores”, divulgada pela Folha de São Paulo, os ataques racistas nas redes sociais brasileiras tem atingido majoritariamente as mulheres negras.

Algo em torno de 56%.

Esse dado é revelador e preocupante, pois mostra o quanto racismo e misoginia tem caminhado juntos em nossa sociedade e do quanto as mulheres negras estão expostas e são vítimas de violência no ambiente virtual.

Essa pesquisa, realizada no período de 2011 a abril de 2025, indica não apenas a necessidade, como também a urgência da regulação no uso das redes sociais no Brasil, tendo em vista o alto grau de criminalidade que vem ocorrendo nas redes.

Do mesmo modo, revela a importância da responsabilização das plataformas sociais (big techs), na remoção desses conteúdos racistas, afim de inibir e punir os criminosos que fazem uso das redes sociais para praticar todo tipo de crime, especialmente o racismo.

Segundo a pesquisadora Letícia Alcântara, do Aláfia Lab, o assunto é grave e merece nossa atenção:

“Olhar para esses dados é fundamental, porque eles nos dão uma visão concreta e nacional do problema. Muitas vezes, o debate sobre racismo online fica restrito a casos pontuais que ganham repercussão na mídia, mas o banco de dados do Disque 100 mostra a dimensão real e cotidiana dessa violência.”

Ainda segundo a pesquisa, os estudos indicam que o combate ao racismo não pode se dar de forma isolada a outras formas de luta contra a opressão e crimes correlatos, fato este que ressalta a contemporaneidade do conceito de “interseccionalidade” defendido vigorosamente pelo movimento feminista negro no Brasil.

O termo, cunhado inicialmente pela ativista e intelectual negra norte-americana, Kimberlé Crenshaw, no início dos anos 1970, considera que as várias formas de opressão e discriminação interagem e se somam, criando desvantagens únicas para as mulheres negras e que por conta disso não podem ser abordados de forma separada.

A contundência, o alcance e o anonimato que o racismo virtual proporciona aos criminosos faz com que os danos causados as vítimas sejam mais graves ainda, pois são quase impossíveis de serem contidos, assim como dos criminosos serem punidos. Portanto, para que o crime e os danos sejam interrompidos imediatamente, a responsabilização das plataformas de redes sociais para a remoção desses conteúdos, é fundamental.

A pesquisa identifica ainda que 70% dos usuários denunciados por racismo contra as mulheres negras nas redes sociais, são brancos e do sexo masculino, revelando assim, de forma explicita, a relação entre racismo e misoginia.

Enfim, se juntarmos a esses dados, a monetização, ou seja, lucro, que esses crimes produzem, tanto para as plataformas quanto para os criminosos, teremos a tempestade perfeita para produção de crimes em série e de danos irreparáveis para as mulheres negras brasileiras.

Daí que, a luta pela regulação das big techs no Brasil é parte integrante da luta contra o racismo, a misoginia e a defesa do Estado Democrático de Direito.

Toca a zabumba que a terra é nossa!

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Fábio Cézar Pires Lima
Fábio Cézar Pires Lima
4 meses atrás

Parabéns ao UMBU Portal ao trazer esse artigo de Zulu Araújo, onde analisa conclusões dessa importante pesquisa. A constatação dessa dura e cruel realidade em que passam as mulheres negras no Brasil. Racismo, misoginia se somam os altos índices de agressão, estupro e feminicídio. Parabéns Zulu, você nos representa.

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