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Projeto Pra Gira Girar lança disco em homenagem aos Tincoãs e volta a Salvador em novembro

Álbum reúne 12 releituras do repertório do trio baiano, com produção de Mario Caldato Jr. e Kassin; apresentações na capital baiana estão marcadas para os dias 20, 21 e 22 de novembro

Foto: Divulgação

O projeto musical Pra Gira Girar lança, no dia 30 de outubro, seu primeiro álbum, “Pra Gira Girar: uma celebração a Os Tincoãs”, com 12 faixas do repertório do trio baiano que se tornou referência na música popular brasileira. O trabalho revisita canções que unem harmonias vocais, ritmos e elementos das tradições afro-brasileiras, aproximando a obra dos Tincoãs de novas gerações de ouvintes.

A produção é assinada por Mario Caldato Jr. e Kassin, que também participa como músico. O álbum nasceu de um espetáculo concebido inicialmente como uma homenagem ao grupo e ganhou formato de disco após a repercussão das apresentações, realizadas com ingressos esgotados em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O projeto tem concepção artística de Álvaro Lancellotti e Julianna Sá. Na formação musical estão Álvaro Lancellotti, Alan de Deus, Michele Leal e Pedro Costa, além de instrumentistas convidados. O músico Zero Awá, também conhecido como Zero Telles, participou da gravação e dos arranjos de percussão. Ele morreu em 2025, antes do lançamento do álbum, que é dedicado à sua memória.

Releituras preservam a identidade dos Tincoãs

O repertório reúne 12 canções de diferentes momentos da trajetória dos Tincoãs, grupo formado na década de 1960 e conhecido pela combinação de harmonias vocais com referências ao candomblé, à umbanda e a outras expressões da cultura afro-brasileira.

Entre as faixas está “Homem Nagô”, escolhida como novo single do projeto. A canção se soma a “Atabaque Chora” e “Deixa a Gira Girar”, lançadas anteriormente como singles em 2025.

Outras músicas do álbum incluem “Salmo”, “Cordeiro de Nanã”, “Sereia”, “Lamento das Águas”, “Na Beira do Mar” e “A Força de Jurema”. As composições abordam temas como ancestralidade, espiritualidade, fé, proteção e cura.

Segundo os integrantes, o trabalho buscou preservar características centrais da obra original, especialmente o encontro entre as vozes e a construção dos arranjos. A proposta, no entanto, não se limita a reproduzir as gravações antigas: a nova formação procura imprimir uma sonoridade contemporânea às canções.

O guitarrista Pedro Costa participou da reorganização dos arranjos, enquanto Kassin assumiu o baixo e a coprodução ao lado de Mario Caldato Jr., responsável também pela mixagem.

Ancestralidade e reconexão cultural

Para os artistas, o disco também representa uma oportunidade de ampliar o contato do público com as matrizes culturais afro-brasileiras presentes na música dos Tincoãs. A obra dialoga com a busca por ancestralidade e com o reconhecimento de tradições religiosas e culturais historicamente marginalizadas.

As referências aos orixás aparecem em diferentes momentos do repertório. Oxóssi e Obaluaê, por exemplo, são evocados em canções que integram o álbum. A seleção também recupera composições que abordam a experiência histórica de opressão e a afirmação da identidade negra.

A proposta do Pra Gira Girar é manter essas canções em circulação e permitir que sejam ouvidas por públicos de diferentes gerações. O projeto parte da compreensão de que o repertório dos Tincoãs permanece aberto a novas interpretações e pode estabelecer conexões com experiências culturais do presente.

Figurinos aproximam projeto da memória de Cachoeira

Além da música, o espetáculo aposta em uma construção visual ligada à história e à identidade baiana. Os figurinos são assinados por Dani Mascarenhas, estilista que também criou peças para Mateus Aleluia, um dos integrantes da formação mais conhecida dos Tincoãs.

Mascarenhas relaciona o trabalho à cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, de onde veio o trio e onde ela passou parte da infância. A estilista afirma que sua trajetória pessoal e suas referências familiares influenciaram a criação das roupas, pensadas para ampliar a narrativa do espetáculo por meio de cores, texturas, formas e volumes.

Pra Gira Girar se apresenta em Salvador em novembro

Após o lançamento do álbum, o projeto retoma a agenda de apresentações no Brasil e na Europa. Em Salvador, os shows estão previstos para os dias 20, 21 e 22 de novembro, com participação especial da cantora Juçara Marçal.

A agenda internacional inclui apresentações em Lisboa, em Portugal, Madri, na Espanha, e Amsterdã e Utrecht, nos Países Baixos. O grupo também tem apresentação marcada no Rio de Janeiro, no dia 27 de novembro, na casa Manouche.

O disco “Pra Gira Girar: uma celebração a Os Tincoãs” estará disponível a partir de 30 de outubro. A iniciativa busca renovar o contato com a obra do trio baiano e destacar sua contribuição para a música brasileira, especialmente pela relação entre canto, espiritualidade e tradições afro-brasileiras.

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