Iniciativa começa no dia 24 de outubro, em Agreste, em Seabra, e prevê atividades em outras duas comunidades, com produção de cartilha ilustrada sobre a cultura popular dos territórios

O projeto Ciranda Cultural inicia, no dia 24 de outubro, uma série de atividades em três comunidades quilombolas da Chapada Diamantina, na Bahia, para valorizar brincadeiras tradicionais e preservar memórias da cultura popular negra. A primeira visita será realizada na comunidade de Agreste, em Seabra. A programação segue durante outubro e novembro, com encontros também em Mocambo da Cachoeira, no mesmo município, e em Escôncio, em Iraquara.
Em sua segunda edição, a iniciativa pretende fortalecer a transmissão de saberes entre gerações por meio de rodas de diálogo, contação de histórias, confecção de artesanatos e outras atividades culturais. A proposta é criar espaços de convivência e expressão artística, além de registrar as brincadeiras e histórias características de cada comunidade.
O material reunido durante os encontros servirá de base para a produção de uma cartilha ilustrada coletiva sobre as tradições dos territórios quilombolas. A publicação será disponibilizada gratuitamente em formato digital e também distribuída fisicamente em escolas públicas e associações culturais de Seabra e Iraquara.
Para Fábia Medeiros, multiartista pós-graduada em Pedagogia e uma das monitoras do projeto, a iniciativa busca estimular experiências de convivência e garantir o direito das crianças ao brincar.
“Nos tempos atuais em que as crianças são seduzidas pelas telas se fazem necessárias e fundamentais ações que trabalhem a presença, assegurando assim os direitos da infância e o bem viver. O projeto Ciranda Cultural tem a proposta de compartilhar a expressão de corpos, olhares, brincadeiras, alegria, o estar juntos, a união”, afirma.
Os encontros são organizados em articulação com lideranças locais, especialmente mulheres que são referências em seus territórios, e com as associações comunitárias. Cada atividade tem duração aproximada de quatro horas, incluindo um intervalo para lanche entre a equipe e os participantes.
A iniciativa é idealizada e conduzida por Luanna Lima e Fábia Medeiros, com articulação local de Eliana Belo. Segundo Luanna, a construção da programação começa com o diálogo com pessoas ligadas às comunidades e a apresentação da proposta às associações locais. As datas dos encontros são definidas posteriormente em conjunto com os moradores.
Os participantes também receberão um kit com camisa e caneca do projeto, além de uma bolsa-auxílio destinada a contribuir com o transporte e a permanência nas atividades.
Além de registrar as brincadeiras e histórias, a equipe pretende reunir fotografias e artesanatos produzidos durante as visitas. O material será utilizado para ampliar o alcance da iniciativa e contribuir para a valorização da cultura negra e quilombola na Bahia.
A previsão é que a cartilha ilustrada seja lançada em fevereiro de 2027, em uma transmissão virtual e em eventos presenciais realizados em duas escolas públicas estaduais. A programação contará com a participação de uma profissional de acessibilidade cultural e incluirá uma exposição de fotografias dos encontros e de artesanatos produzidos pelas participantes.
As atividades nas escolas também devem envolver estudantes do ensino médio da rede pública em vivências sobre a importância das brincadeiras na cultura popular brasileira.
Segundo Luanna Lima, o projeto busca aproximar as mulheres quilombolas das brincadeiras de sua infância e incentivar a transmissão dessas experiências às novas gerações.
“Brincar é um direito universal para toda e qualquer criança. Com o projeto, nós promovemos um reencontro das mulheres quilombolas da Chapada com o brincar do seu tempo. Esse reacordar do brincar reforça o cultivo do bem-viver, de estar junto com a natureza, onde podemos despertar o potencial criativo e brincante de toda a comunidade, valorizando as memórias e histórias daquele local”, destaca.
O Ciranda Cultural foi contemplado pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) Bahia e conta com apoio financeiro do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura da Bahia, e do Ministério da Cultura, do Governo Federal.
Serviço
O quê: Ciranda Cultural, com atividades sobre brincadeiras tradicionais em comunidades quilombolas.
Quando: De outubro de 2026 a fevereiro de 2027. A primeira visita será no dia 24 de outubro, na comunidade de Agreste, em Seabra.
Onde: Seabra e Iraquara, na Chapada Diamantina (BA).



