O Instituto Cultural Bantu, da Ilha de Itaparica, foi reconhecido pelo projeto Ajeum Bantu no Prêmio Pacto Contra a Fome 2025, destacando-se na categoria de redução do desperdício de alimentos

O Instituto Cultural Bantu (ICBANTU), sediado na cidade de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica (BA), é o grande vencedor do Prêmio Pacto Contra a Fome 2025 na categoria Redução e/ou Reversão do Desperdício de Alimentos. A iniciativa baiana foi reconhecida nacionalmente pelo projeto Ajeum Bantu, que atua no combate à fome e na geração de renda por meio do reaproveitamento de alimentos excedentes com base em uma cosmovisão afrocentrada.
A cerimônia de premiação, uma das mais relevantes no país para projetos de segurança alimentar, ocorreu na última terça-feira (4), no Teatro do SESI, em São Paulo, e premiou seis iniciativas com R$ 100 mil e um troféu assinado pelo artista Vik Muniz.
Ajeum Bantu: Um ecossistema de justiça social
Criado em 2020, em meio à pandemia, o Ajeum Bantu nasceu em um território onde mais de 53% da população vive em extrema pobreza. O projeto, cujo nome significa “refeição” em iorubá, funciona como um ecossistema sustentável que integra alimentação, educação, cultura e geração de renda.
O funcionamento do projeto é baseado em um ciclo fechado e socialmente justo:
- Captação: Recebe alimentos excedentes, mas próprios para consumo, de parceiros como Atakadão Atakarejo e Mesa Brasil (SESC).
- Segurança Alimentar: Garante refeições e segurança alimentar a mulheres, mães solo, crianças e famílias afro-indígenas.
- Geração de Renda: Transforma os excedentes em doces, compotas, geleias e licores por meio da Cooperativa NKUTA, promovendo autonomia e protagonismo feminino.
- Sustentabilidade: Reaproveita os resíduos orgânicos na produção de compostagem, que alimenta hortas agroecológicas, fechando o ciclo e regenerando a terra.
“Alimentamos pessoas enquanto formamos pessoas. Alimentamos a consciência enquanto geramos cultura, pertencimento, renda e esperança”, destaca Edielson Miranda, o Mestre Roxinho, capoeirista e fundador do ICBANTU.

Com o valor de R$ 100 mil da premiação, o Instituto Cultural Bantu planeja ampliar sua cozinha comunitária, criar novas hortas em terrenos baldios e, mais ambiciosamente, implantar o Restaurante Escola Social NKUTA BANTU. O espaço servirá refeições populares durante a semana e oferecerá gastronomia afro-diaspórica nos finais de semana, com todos os recursos gerados sendo reinvestidos para garantir a perenidade do ecossistema social.
O ICBANTU foi fundado em 2006 a partir da trajetória de vida de Mestre Roxinho e utiliza a Capoeira Angola como tecnologia social de emancipação. Em 2026, o Instituto completará 20 anos de existência, acumulando reconhecimentos como o Prêmio LED – Luz na Educação (2023) e o Prêmio Melhores ONGs (2024).



