Projeto de 4,3 km receberá investimento de US$ 100 milhões e promete reduzir tempo de deslocamento na região para 18 minutos

Foto: Otávio Santos
O modelo de negócios para a gestão do Teleférico do Subúrbio foi pauta de uma reunião realizada nesta terça-feira (24) entre a Prefeitura de Salvador e representantes do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF). O novo modal conectará os bairros de Praia Grande, Pirajá, Campinas de Pirajá e a região do Mané Dendê ao sistema de metrô da capital.
O encontro, sediado no auditório da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), atende às etapas preliminares do projeto Salvador Inclusiva. A iniciativa prevê melhorias no transporte público por meio de uma parceria entre o poder municipal e a instituição financeira. A mesa de discussões foi composta pela equipe técnica do CAF e por representantes da Semob, Casa Civil, Superintendência de Obras Públicas (Sucop), Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) e da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), órgão responsável por elaborar o projeto do teleférico.
A importância desta etapa para o amadurecimento da proposta foi destacada pelo secretário de Mobilidade, Pablo Souza. “Não se trata apenas de uma operação para liberar um financiamento; há toda a transferência de boas práticas internacionais e todos os estudos técnicos feitos com o apoio dos melhores especialistas disponíveis no mercado, oferecidos pelo CAF”, detalhou o gestor.
A complexidade da obra, que envolve uma série de estudos ambientais e sociais liderados pela FMLF, também foi pontuada pelo titular da Semob. “Hoje estamos todos reunidos para tratar sobre a operação do modal. Nos debruçamos, discutindo sobre os melhores modelos de negócios para trazer maior vantajosidade ao Município, entendendo que é uma área com um componente social diferente. É preciso ter esse olhar cuidadoso para poder prestar um excelente serviço”, afirmou Souza.
O andamento do cronograma foi avaliado positivamente pelo secretário da Casa Civil, Luiz Carreira. “O projeto está indo muito bem e cumprindo os prazos previstos, o que contribui para a consolidação do melhor modelo em todos os aspectos”, disse.
Estrutura, capacidade e impacto
Com duração prevista de três anos para as obras, o projeto receberá um investimento de US$ 100 milhões (cerca de R$ 520 milhões na cotação atual). A infraestrutura do equipamento contará com:
- Extensão de 4,3 quilômetros;
- Quatro estações: Campinas de Pirajá (ao lado da estação do metrô), centro de Pirajá, Rio Sena (dentro do projeto Mané Dendê) e Praia Grande;
- 110 cabines panorâmicas sustentadas por 27 torres;
- Capacidade para transportar até 23 mil passageiros por dia.
Atualmente, moradores de bairros mais altos do Subúrbio, a exemplo do Alto da Terezinha e de Plataforma, gastam entre 1h e 1h30 para chegar à estação de metrô de Águas Claras. Com a implantação do teleférico, esse tempo de deslocamento será reduzido para apenas 18 minutos. O sistema operará de domingo a domingo e terá a tarifa incluída no atual modelo de integração.
Inspirado em modais utilizados em cidades como La Paz e Medellín, o equipamento promete oferecer um transporte sustentável, integrado à rede municipal e com vista privilegiada para a Baía de Todos-os-Santos.
Além da construção do teleférico, o acordo firmado com o CAF em abril do ano passado abrange investimentos em inovação tecnológica e qualificação profissional para os próximos cinco anos. O pacote de ações fortalece projetos como Treinar Para Empregar, Salvador Tech, Salvador Criativa e Geração SSA. Na primeira fase, mais de 60 mil pessoas já foram capacitadas, e a meta do município é formar 100 mil profissionais para o mercado de trabalho.



