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PF e Abin alertam para risco de instabilidade após EUA fecharem postos diplomáticos no Brasil

Revista Fórum afirma que órgãos de inteligência e segurança acompanham possibilidade de ações para tensionar o cenário eleitoral; EUA alegam questões de segurança e não detalham ameaça

Foto: Luis Dantas/Divulgação/Reprodução/Agência Brasil

A suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil, anunciada nesta sexta-feira (2), passou a ser acompanhada com atenção por órgãos de segurança e inteligência brasileiros às vésperas do primeiro turno das eleições. Segundo reportagem da Revista Fórum, a Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) emitiram alertas sobre o risco de ações que possam provocar instabilidade no país durante o processo eleitoral.

A informação ocorre no mesmo dia em que a Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, e os consulados do país em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre suspenderam os atendimentos presenciais. A justificativa apresentada pelo governo estadunidense foi de “preocupações com a segurança”, sem detalhamento público sobre a ameaça que teria motivado a decisão.

A Embaixada da Austrália na capital federal também anunciou o fechamento nesta sexta-feira. O governo australiano citou preocupações de segurança e incluiu em seus alertas a possibilidade de ataques terroristas, embora não tenha apresentado um episódio específico ocorrido no Brasil que tenha motivado a medida.

De acordo com a reportagem da Revista Fórum, os alertas da PF e da Abin consideram a possibilidade de uma ação coordenada para gerar tensão política e questionamentos sobre o processo eleitoral brasileiro. A publicação relaciona essa preocupação ao fechamento das representações diplomáticas dos EUA, ocorrido dois dias antes da votação.

O alerta ocorre em um contexto no qual a Abin já havia classificado como crítico o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026. Um relatório reservado da agência, divulgado em setembro, foi encaminhado à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. Segundo informações confirmadas pela TV Brasil, o documento apontava uma escalada de pressão norte-americana sobre o Brasil.

A existência desse alerta anterior, porém, não comprova que a suspensão dos serviços consulares esteja relacionada a uma operação para interferir nas eleições. O governo dos EUA afirma que a decisão foi tomada por razões de segurança, enquanto os detalhes sobre a ameaça não foram divulgados.

A decisão também provocou questionamentos em Brasília. Segundo reportagem da Carta Capital, autoridades brasileiras consideraram desproporcional a suspensão dos serviços diplomáticos e avaliaram que a medida pode contribuir para a construção de uma percepção internacional de instabilidade durante as eleições.

De acordo com a publicação, integrantes do alto escalão do governo brasileiro afirmaram não identificar sinais de violência ou ameaças que justificassem a dimensão das medidas adotadas pelos Estados Unidos e pela Austrália. Uma fonte ouvida pela reportagem descreveu o cenário no país como de “normalidade” às vésperas da votação.

A Carta Capital também informou que autoridades brasileiras interpretam a decisão como parte de um contexto mais amplo de pressão do governo Donald Trump sobre o Brasil e de preocupação com possíveis interferências no processo eleitoral. Essa interpretação é atribuída às fontes ouvidas pelo veículo.

O que dizem os governos dos EUA e da Austrália

Os Estados Unidos, por meio do Departamento de Estado, afirmaram que a administração Trump prioriza a segurança de cidadãos estadunidenses e que as embaixadas e consulados utilizam sistemas de alerta para comunicar ameaças e mudanças nas condições locais.

No Brasil, a medida interrompeu os serviços presenciais da Embaixada dos EUA em Brasília e dos consulados de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. Cidadãos estadunidenses que necessitarem de assistência emergencial foram orientados a procurar os oficiais de plantão, sem comparecer às instalações diplomáticas durante o período de suspensão.

A Austrália, por sua vez, recomendou que seus cidadãos evitem a embaixada e também as instalações diplomáticas dos EUA no Brasil. O país mantém o Brasil no nível 2 de sua escala de alertas, que recomenda “exercer um alto grau de cautela”. Estados Unidos e Austrália integram, ao lado de Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia, a aliança de inteligência Five Eyes.

Tensão entre Brasil e Estados Unidos

A suspensão dos atendimentos ocorre em meio a uma sequência de atritos entre Brasília e Washington. Na quinta-feira (1º), Trump afirmou que acompanha “muito de perto” as eleições brasileiras, mas não declarou publicamente apoio a nenhum candidato naquela ocasião.

Em setembro, um relatório da Abin já havia apontado risco de interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral. Paralelamente, parlamentares democratas norte-americanos enviaram cartas ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo que o governo Trump não interferisse na eleição brasileira.

A tensão também aumentou após a divulgação de que o governo dos EUA destinou US$ 1 milhão para um projeto voltado a grupos que contestam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação levou a Advocacia-Geral da União (AGU) a acionar a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República para apurar um possível financiamento estrangeiro de ações contra instituições brasileiras.

O primeiro turno das eleições brasileiras será realizado neste domingo (4). Até o momento, não foi divulgada oficialmente a natureza da ameaça que levou os Estados Unidos a suspenderem os atendimentos consulares nem foi estabelecida, pelos governos envolvidos, uma relação direta entre a medida e o processo eleitoral.

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