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‘Pequeno Manual Antirracista’ se torna alvo de ataque após ser utilizado em escola de Salvador

Colégio Antônio Vieira, localizado no Garcia, utilizou obra de Djamila Ribeiro em aulas de religião

Foto: Reprodução.

A mãe de um estudante do Colégio Antônio Vieira, localizado no bairro do Garcia, em Salvador, utilizou as redes sociais para criticar, na terça-feira (30), o uso do livro ‘Pequeno Manual Antirracista’, da filósofa Djamila Ribeiro, durante na ementa da disciplina de Religião do 8º ano.

Na publicação, que já foi apagada pela autora, ela questiona se o uso do livro seria um “culto à servidão de ideologias”. A responsável pela postagem ainda publicou uma captura de tela da biografia da escritora, destacando que a mãe da filósofa trabalhava como empregada doméstica e que iniciou a filha no candomblé quando Djamila tinha 8 anos.

“O que esperar de uma aula de religião em um colégio católico? Não seria apenas a palavra de Deus, o código canônico, as histórias de virtudes dos mártires, mandamentos? Qual é o sentido e o objetivo de utilizar uma autora que vem de família de outra religião, no caso específico candomblé? Existe qualquer conexão com a fé católica?”, pergunta.

A autora se manifestou em publicação no Instagram dizendo: “Sim, sou uma mulher de candomblé e sempre deixei isso público e notório. Sou uma orgulhosa filha de Oxóssi com Iansã, e o tempo que eu tenho de iniciada, muitos não têm de vida”.

“A Constituição de 1988 garante o direito à liberdade religiosa. Isso em nada me ofende, muito pelo contrário, tenho muito orgulho. A mãe em questão precisa estudar sobre o contexto social e racial do país, sobretudo vivendo em Salvador, capital do estado com maior população negra no Brasil.”

Djamila reforçou em sua publicação que a obra é adotada por diversas escolas e contribui para uma pedagogia antirracista. “Reforço minha solidariedade à comunidade escolar e parabenizo a escola por trabalhar para ampliar a conscientização dos alunos e alunas”, escreveu.

Em nota, o diretor-geral do Colégio Antônio Vieira, Sérgio Silveira, pedagogo, mestre em Gestão Educacional e doutorando em Educação, afirmou que a escola segue a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, lembra que existe um Comitê para Educação Étnico-Racial e de Gênero no colégio e diz que essa educação é um imperativo de reconciliação e justiça.

O Colégio Antônio Vieira respondeu em nota. Confira a nota na íntegra:

O Colégio Antônio Vieira, embasado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, reconhece a importância de garantir o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil. Nesse sentido, adotamos uma abordagem inclusiva que visa tranversalizar toda a nossa prática educativa.

Destacamos a existência do Comitê para Educação Étnico-Racial e de Gênero no Colégio Antônio Vieira, que desempenha um papel fundamental na orientação de ações voltadas para essa temática. As questões antirracistas são trabalhadas em consonância com nosso Projeto Político-Pedagógico, seguindo os fundamentos da Companhia de Jesus e as diretrizes da Igreja Católica, inclusive o Pacto Educativo Global.

Para nós, a educação para as relações étnico-raciais é um imperativo de reconciliação e justiça. Por isso, incluímos livros e materiais didáticos que abordam essa temática de forma ampla e contextualizada em nossas aulas de Ensino Religioso. Essa abordagem não se limita apenas às disciplinas religiosas, mas permeia todo o contexto escolar, refletindo nosso compromisso com a conscientização sobre a importância de respeitar a diversidade.

Reconhecemos a importância da legislação vigente, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei nº 10.639/2003, bem como a Lei 7.716/89 e a Lei 14.532, que fundamentam o racismo como crime e a necessidade de assegurar a efetivação das diretrizes estabelecidas. Nos empenhamos também a cumprir a nota recomendatória da Defensoria Pública da Bahia que ressalta a importante e necessária tomada de medidas para reconhecer e valorizar a história e cultura afro, afro-brasileira e indígena como pilares da formação cultural-identitária do povo brasileiro. Nosso empenho em implementar essas leis é amplo e eficaz, pois nossa missão vai além do ensino acadêmico; buscamos formar cidadãos comprometidos com a construção de um mundo mais inclusivo e solidário.

Com informações do jornal Correio da Bahia.

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