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Oficinas de bordado em Salvador unem arte, memória e resistência com artista indiana

Projeto do Goethe-Institut Salvador-Bahia promove encontros gratuitos em diferentes espaços da cidade até 13 de novembro, explorando o bordado como ferramenta de expressão e transformação social

Artista indiana Pooja Dhingra conduzirá as oficinas | Foto: Harmeet Basur

O bordado como forma de expressão artística, preservação da memória e resistência social é o ponto de partida do projeto “Tecidos de Narrativos – Bordando Salvador”, promovido pelo Goethe-Institut Salvador-Bahia. Conduzida pela artista indiana Pooja Dhingra, residente da Residência Vila Sul, a iniciativa reúne encontros em diferentes espaços da capital baiana entre outubro e novembro, propondo reflexões sobre território, histórias de vida e experiências coletivas por meio da prática têxtil.

A programação segue até 13 de novembro e contempla locais como o Goethe-Institut, a praia do Porto da Barra, o Pelourinho, a Estação Calçada, o VLT no Subúrbio Ferroviário, o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia) e a região do 2 de Julho. As atividades também incluem uma parceria com o Acervo da Laje e uma passagem pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), no campus de Ondina, conforme a proposta geral do projeto.

A iniciativa convida os participantes a compartilhar lembranças, percepções e histórias relacionadas aos lugares onde vivem ou circulam. Para cada encontro, a artista seleciona tecidos de diferentes tamanhos e características, de acordo com o tema proposto. Na atividade prevista para a praia do Porto da Barra, por exemplo, a pergunta “O que o mar lembra?” funciona como ponto de partida para a criação artística.

Além da experimentação estética, o projeto explora o bordado como ferramenta de ativismo. A prática, realizada individualmente ou em grupo, abre espaço para a escuta, a troca de experiências e a construção de vínculos entre pessoas com diferentes trajetórias.

Bordado como linguagem política e social

Com atuação entre o design participativo, as narrativas gráficas, os têxteis e a arte socialmente engajada, Pooja Dhingra desenvolve trabalhos voltados à documentação de histórias cotidianas de resiliência e resistência, especialmente aquelas que costumam ser invisibilizadas.

A artista é fundadora da Compassion Contagion, arquivo on-line dedicado a registrar histórias de resistência por meio da arte, e da Rafooghar, espaço comunitário localizado em Nova Délhi, na Índia. O projeto utiliza o bordado e os têxteis como instrumentos de reparação emocional, autonomia e resistência para mulheres marginalizadas.

Em sua trajetória, Pooja reivindica o bordado como uma linguagem artística e política, levando a prática para além do ambiente doméstico e explorando seu potencial de mobilização e transformação social. Seu trabalho também inclui projetos de design gráfico relacionados a questões como discriminação sistêmica, casamento infantil, saúde das mulheres e direitos reprodutivos de meninas e adolescentes.

Para Leonel Henckes, diretor de operações da Residência Vila Sul/Goethe-Institut Salvador-Bahia, os encontros ampliam as possibilidades de diálogo entre arte e cotidiano.

A proposta, segundo ele, é reunir pessoas para compartilhar histórias, lembranças e percepções sobre os territórios que habitam, aproximando a prática artística de experiências individuais e coletivas.

Programação ocupa diferentes espaços da cidade

Ao levar as oficinas para espaços culturais, áreas públicas e pontos de convivência, “Tecidos de Narrativos – Bordando Salvador” propõe uma relação direta entre a prática artística e os territórios da capital baiana.

A circulação por diferentes locais permite que as experiências e narrativas produzidas durante os encontros dialoguem com as características de cada espaço, transformando o bordado em um meio de registrar memórias e refletir sobre a cidade.

A iniciativa integra a atuação da Residência Vila Sul, programa internacional do Goethe-Institut Salvador-Bahia que recebe artistas e especialistas de diferentes países para desenvolver trabalhos relacionados a questões relevantes para o chamado Sul Global.

Presente em Salvador desde 1962, o Goethe-Institut promove o intercâmbio cultural, a educação e o diálogo entre diferentes perspectivas. Com o projeto, a instituição aproxima a produção artística internacional das experiências locais, utilizando a arte têxtil como ponto de encontro entre memória, identidade e resistência.

Confira a programação

23 de outubro, às 17h: Goethe-Institut Salvador-Bahia.

28 de outubro, às 15h30: Praia do Porto da Barra, lado direito da escadaria.

30 de outubro, às 16h: Pelourinho.

3 de novembro, às 15h: Estação Calçada.

4 de novembro, às 15h: Pelourinho.

7 de novembro, às 16h: VLT, no Subúrbio, com o Acervo da Laje.

11 de novembro, às 15h30: Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia).

13 de novembro, às 19h: Bar Mocambinho, no bairro 2 de Julho.

O projeto é conduzido pela artista indiana Pooja Dhingra, residente da Residência Vila Sul. Para informações sobre participação e eventuais orientações específicas para cada encontro, a recomendação é consultar os canais oficiais do Goethe-Institut Salvador-Bahia.

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