
O aumento do salário mínimo para R$ 1.528 em 2026 terá um impacto positivo na economia brasileira, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). De acordo com a entidade, o reajuste e o consequente efeito cascata sobre rendimentos e consumo devem resultar em uma injeção de aproximadamente R$ 817 bilhões na atividade econômica ao longo de 12 meses, considerando renda, gastos e tributos gerados.
O levantamento do Dieese aponta que o novo piso nacional, que representa um reajuste acima da inflação acumulada, deve incrementar o poder de compra de milhões de trabalhadores e beneficiários de programas sociais indexados ao mínimo, impulsionando setores sensíveis ao consumo de massa, como comércio, serviços e alimentação fora do lar.
De acordo com os pesquisadores, o impacto econômico pode ser dividido em efeitos diretos e indiretos: o aumento da renda dos trabalhadores será direcionado ao consumo de bens e serviços, que, por sua vez, estimula a produção, a geração de empregos e a arrecadação de tributos. Esse ciclo de circulação de renda é considerado um dos principais mecanismos de estímulo à economia doméstica em períodos de crescimento moderado.
O estudo também destaca que o reajuste do salário mínimo reverbera em benefícios previdenciários e assistenciais, como aposentadorias, pensões e o Bolsa Família (atual Auxílio Brasil), cujos valores acompanham o piso nacional. Assim, o impacto estimado de R$ 817 bilhões inclui não apenas o gasto direto com salários, mas também o efeito sobre rendimentos de quem recebe benefícios vinculados ao mínimo.
Segundo o Dieese, o aumento do salário mínimo pode fortalecer a demanda interna, contribuindo para a manutenção do nível de atividade econômica em um cenário ainda marcado por desafios como a inflação e o desemprego. A entidade ressalta, no entanto, que os efeitos dependerão, em parte, de políticas complementares que estimulem a produção e a oferta de bens e serviços.
Especialistas consultados na elaboração do estudo afirmam que a recomposição do salário mínimo acima da inflação é um fator relevante para redução de desigualdades de renda, sobretudo em um país onde a parcela significativa da população depende de rendimentos amarrados ao piso nacional.
A nova regra para o salário mínimo foi definida pelo governo federal após negociações com diversos setores, incluindo centrais sindicais e especialistas em política salarial. A perspectiva é que o reajuste entre em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026, com reflexos imediatos na folha de pagamento de milhões de trabalhadores formais e na economia de forma geral.


