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“Nossa luta é pela demarcação de territórios”, afirma coordenador do Acampamento Terra Livre Bahia

Em entrevista, Agnaldo Pataxó, líder do Mupoiba, critica a desconexão da COP30 com a realidade indígena e reafirma a autonomia do movimento na Bahia

Foto: Italo Pacheco

Em meio às mobilizações do VII Acampamento Terra Livre (ATL), que acontece em Salvador, o Coordenador-Geral do Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba), Agnaldo Pataxó, destacou os verdadeiros objetivos do encontro. Segundo ele, o foco principal vai além das discussões climáticas globais e se concentra na articulação e na luta por direitos concretos para os 34 povos indígenas do estado.

“Realizamos acampamentos há mais de 11 anos. Nosso principal objetivo aqui é, primeiramente, articular nosso povo da Bahia”, explicou Agnaldo. Ele ressaltou que a presença da etnia Pataxó é fundamental para fortalecer a estratégia de luta por melhorias na qualidade de vida e, principalmente, pela defesa dos direitos territoriais.

Um dos pontos mais contundentes de sua fala foi a visão crítica sobre a COP30, que será realizada no Brasil. Agnaldo expressou ceticismo sobre os reais benefícios do evento para as comunidades. “Ainda não conseguimos compreender completamente e obter visibilidade sobre como a COP30 pode, de fato, beneficiar nosso povo”, afirmou. A desconfiança, segundo ele, vem do fato de que muitos patrocinadores do evento têm negócios que impactam negativamente o meio ambiente e “não parecem priorizar a defesa ambiental.”

Para o coordenador, a pauta central e inegociável é outra. “A demarcação de territórios é um ponto central de nossas discussões, juntamente com a segurança e outras políticas públicas”, reforçou.

Apesar do cenário de lutas, Agnaldo destacou os avanços no diálogo com o poder público estadual, mencionando o apoio do governador Jerônimo Rodrigues em projetos de infraestrutura. Contudo, ele fez questão de sublinhar a condição fundamental para essa parceria: a manutenção da soberania do movimento. “Esse apoio foi concedido sem quaisquer condicionantes que pudessem comprometer nossa autonomia. Nossa autonomia, tanto política quanto ideológica, permanece intacta”, concluiu.

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