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“Não existe transição energética sem segurança energética”, afirma Marcelo Lyra, da Acelen, em conferência em Salvador

Foto: Joseanne Guedes/ABI

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) realizou, na manhã desta quarta-feira (8), a edição de outubro da Conferência ABI 95+5, na sede da entidade, localizada na Praça da Sé, em Salvador. A abertura contou com a palestra de Marcelo Lyra, vice-presidente de Comunicação, ESG e Relações Institucionais da Acelen, que abordou o tema “Perspectivas para a Bahia na transição energética”.

Durante sua exposição, Lyra apresentou o trabalho da empresa no fomento à cultura sustentável da macaúba na Bahia e em Minas Gerais. Ele destacou como os projetos estratégicos da Acelen contribuíram para o surgimento de regulamentações e marcos legais, enfrentando desafios por ser uma iniciativa pioneira no país no cultivo dessa palmeira. A produção da macaúba impacta diretamente o futuro do setor de diesel verde, combustível obtido a partir de fontes renováveis.

A cultura da macaúba na Bahia representa um projeto de grande relevância para a produção de biocombustíveis e para a sustentabilidade ambiental. A Acelen Agro está investindo em duas unidades no estado, uma agrícola e outra agroindustrial, voltadas ao cultivo e à produção de óleo, amêndoas, torta da amêndoa, polpa e casca do fruto. O investimento total é de R$ 12,4 bilhões, com a expectativa de gerar 220 empregos diretos e 2,7 mil indiretos. A macaúba, nativa do Brasil e adaptável a diversas regiões, é considerada uma alternativa promissora para a produção de biocombustíveis e biomassa celulósica.

“Questões ambientais são a natureza do nosso projeto. O biocombustível é uma fotossíntese recente e está em processo de construção no Brasil. A nossa ‘fotossíntese ancestral’, transformação do CO₂, é totalmente diferente da ‘fotossíntese biodegradável’. O grande desafio é aumentar a produtividade do fruto da macaúba e iniciar a produção desse biocombustível, com a estimativa de funcionamento de uma biorRefinaria em Mataripe (BA) já em 2028, em plena carga, processando também outros óleos, como gordura animal e óleos de cozinha reutilizados (UCO), a partir da criação de uma rede de coleta desses resíduos pela população”, explicou Lyra.

Segundo ele, a Bahia tem potencial para se tornar um território estratégico na recomposição de áreas degradadas por meio do plantio da macaúba, utilizando recursos de programas como o Crédito de Carbono e o Programa Valoriza+, que busca transformar o ambiente de trabalho e impulsionar resultados com base em reconhecimento e incentivo aos colaboradores.

Foto: Joseanne Guedes/ABI

“Foi de extrema importância a palestra de Marcelo Lyra, já que poucos aqui tinham conhecimento sobre o assunto. É uma iniciativa pioneira que certamente ajudará o Brasil, especialmente nesse eixo Bahia–Minas Gerais. A inclusão dos pequenos produtores e quilombolas, com suas especificidades, fortalecerá a agricultura familiar e promoverá o crescimento desses trabalhadores a partir do cultivo da macaúba”, afirmou Antônio Matos, jornalista desde 1968 e um dos fundadores do Tribuna da Bahia.

A expectativa da equipe da Acelen é envolver 3 mil produtores no cenário da agricultura familiar, gerando renda a partir da cultura da macaúba. A logística prevista é que o fruto seja transportado diretamente das fazendas até as unidades de esmagamento, reduzindo custos de transporte do óleo extraído. A refinaria de Mataripe, segunda maior do Brasil, representa 14% da capacidade total de refino do país, sendo 42% do Nordeste e 80% da Bahia. Lyra explicou que os ajustes de preços do diesel nas refinarias não são imediatos, pois dependem de fatores como impostos, mistura de biodiesel e margens de distribuição e revenda.

“Custo não é preço. Boa parte da captura dos insumos está relacionada à responsabilidade ambiental. Essa externalidade já caminha lado a lado com o modelo sustentável, já que a macaúba é um coquinho de aplicação nobre, captador natural de CO₂. A fibra da macaúba é usada na alimentação animal, mas o nosso foco é o biocombustível. Novas cadeias produtivas regionais estão surgindo a partir dos resíduos orgânicos, gerando oportunidades econômicas e sociais para os pequenos produtores”, destacou Lyra.

O representante da Acelen também revelou que já há estudos iniciais para a extração de macaúba em parceria com povos originários na Bahia e em Minas Gerais. Segundo ele, as equipes estão aprendendo a lidar com as tratativas junto a essas comunidades, promovendo diálogo e respeitando suas expectativas, territórios e tradições.

Foto: Joseanne Guedes/ABI

“Estou aqui para confirmar uma parceria com a ABI e agradecer a oportunidade de ouvir esse tema tão importante para os povos originários, que podem ser envolvidos nessa transição energética. Essa Conferência ABI 95+5 trouxe à tona a relevância dessa discussão, especialmente em um momento em que o presidente Lula tem reforçado o tema. Esperamos que seja uma transição sustentável, pacífica e produtiva, capaz de melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro”, afirmou Gilberto Leal, membro da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN).

Com o investimento de R$ 12,4 bilhões, a Acelen Renováveis vai instalar duas unidades no estado: uma agrícola, com capacidade para cultivar 5,6 milhões de toneladas por ano de macaúba, e uma agroindustrial, a biorrefinaria, com capacidade de produzir 1 milhão de toneladas anuais de combustíveis renováveis, como diesel verde e combustível sustentável de aviação, a partir do óleo da macaúba. O empreendimento deve gerar 65 empregos diretos na unidade de esmagamento de oleaginosas e 2,7 mil empregos diretos e indiretos na unidade agrícola.

O Governo do Estado da Bahia, por meio da criação da Política Estadual de Transição Energética e do PROTENER, busca dar mais um passo no desenvolvimento sustentável do estado diante do cenário global de mudanças climáticas. O programa pretende estabelecer um marco regulatório para os próximos 30 anos, com revisões a cada cinco, com o objetivo de transformar a Bahia em referência nacional em energia limpa. O plano se baseia em quatro pilares principais: diversificação da matriz energética, redução das emissões de carbono, inovação tecnológica e desenvolvimento econômico sustentável, e governança e financiamento.

Texto por: Patrícia Bernardes Sousa – jornalista, redatora, colunista, mobilizadora de projetos de Impacto Social em Educação, Letramento e Cultura Identitária e repórter colaboradora do Portal Umbu.

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