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Mulheres negras na comunicação: os desafios de ocupar espaços

Relações Públicas fala sobre a importância de mais mulheres negras em posição de poder nas áreas da comunicação e produção cultural

A presença e o papel das mulheres negras no mercado de comunicação têm sido pautas de ampla relevância na sociedade. Para compreender plenamente a importância deste tópico, é necessário analisar os dados estatísticos que destacam a realidade das mulheres negras dentro desse setor.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres negras representam uma parcela significativa da população brasileira, com cerca de 27% da população total do país. No entanto, quando olhamos para o mercado de comunicação, vemos uma representação desigual.

Segundo a base de  dados Retrato das Desigualdades, desenvolvida pelo  Instituto  de  Pesquisa Econômica e Social (IPEA) e o Observatório de Trabalho Decente da Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres recebem em média um salário 21,3% inferior ao dos homens. Além disso, elas ocupam somente 37,4% dos cargos de gerência em empresas.

Quando comparadas a homens brancos, as mulheres negras recebem um salário 55,6% inferior. Elas estão em apenas 1,6% dos cargos de gerência e 0,4% dos cargos executivos.

A Relações Públicas Thainá Pitta está inserida dentro dessa pequena parcela que busca mudar a realidade dentro dos campos da comunicação e produção cultural. Para ela, ter mais mulheres negras dentro desse campo da comunicação faz com que mais diferenças culturais não sejam ignoradas.

“Quando uma mulher negra lidera, ela traz consigo uma riqueza de experiências únicas, compreendendo não apenas as complexidades da comunicação, mas também as nuances culturais que muitas vezes são negligenciadas. A diversidade de liderança é a chave para promover uma comunicação mais inclusiva e autêntica”, explica.

Como mulher negra e baiana, ela se tornou uma voz influente na indústria, utilizando de sua expertise para impulsionar e produzir eventos de grande porte, tanto nacional quanto internacional, e colaborando com marcas de renomes.

Sua capacidade de moldar experiências memoráveis é evidente em seu envolvimento com projetos como o Prêmio Sim à Igualdade Racial, Rock in Rio Lisboa, The Town Brasil, Carnaval de Salvador. Pita também esteve envolvida no projeto “O Futuro é Ancestral”, que levou indígenas brasileiros para discursar na sede da ONU, em Nova Iorque, durante a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Representatividade

A presença de mulheres negras no mercado de comunicação é crucial para essa construção de uma imagem positiva e inclusiva das pessoas negras na mídia. Isso tem um impacto direto na forma como a sociedade enxerga e trata as minorias étnicas, bem como na autoestima e no empoderamento das mulheres negras.

Além de sucessos nacionais, Thainá já marcou presença no cenário internacional. Seu papel como produtora executiva no SDG in Brazil, onde os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável foram discutidos, trouxe uma nova dimensão ao seu trabalho. Também estando a frente das relações públicas do artista plástico internacional Alberto Pitta, Thainá conta que não é uma tarefa fácil ser líder nesse mundo dos negócios e da comunicação

“Enfrentar o espaço da comunicação como uma mulher negra não é uma tarefa fácil, é uma posição desafiadora. Tenho que constantemente demonstrar minha competência e provar que mereço estar lá. Lido com estereótipos e preconceitos, mas também reconheço o poder da minha presença e da minha voz. Enfrentar esse espaço significa abrir portas para as que virão depois de mim”, ressalta a RP.

A representatividade das mulheres negras não é apenas uma questão de equidade, mas também uma oportunidade de enriquecer as narrativas e perspectivas na comunicação e na sociedade como um todo.

“Quero ver mais mulheres negras ocupando posições de liderança nesta indústria. Isso não é apenas uma questão de representação, mas também de transformação. Quando mais mulheres negras liderarem projetos de comunicação, teremos narrativas mais diversas e autênticas, que refletirão verdadeiramente nossa sociedade”, finaliza Thainá Pitta.

Foto: João Lins

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