Filmes serão exibidos na Saladearte Cinema do Museu e no Glauber Rocha, com ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Depois de cinco anos, Salvador volta a receber a Mostra de Cinemas Africanos, que começa nesta quarta-feira (13) e vai até segunda-feira, com a exibição de 15 longas-metragens de nove países. Os filmes serão exibidos na Saladearte Cinema do Museu e no Glauber Rocha, com ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
Um dos destaques do evento é a produção do Senegal, que estará representada por dois cineastas de gerações diferentes: Alassane Diago, de 38 anos, e Moussa Sène Absa. Os dois já chegaram à cidade e estarão na sessão de abertura, que será com o filme Xalé – As Feridas da Infância (2022), de Moussa Sène Absa, nesta quarta, às 19h30, no Glauber Rocha.
Durante os seis dias de festival, o público poderá conhecer produções de países como Somália, Gabão e Moçambique, além de Senegal.
MOUSSA SÈNE ABSA:
Será também uma chance de conhecer melhor a filmografia de Moussa Sène Absa, já que serão exibidos, além de Xalé, os outros dois longas que integram a trilogia Destino das Mulheres: Madame Brouette (2002), onde uma senegalesa luta para manter sua independência, e o drama Tableau Ferraille (1997), sobre duas mulheres que se relacionam com um político em ascensão que deseja filhos.
Xalé trata de relações familiares e tradição e, segundo Moussa, que é também roteirista do filme, surgiu de sua indignação com os constantes estupros de meninas no Senegal.
“Vejo toda semana notícias de meninas estupradas por professores, pais, tios… E uma história me tocou muito porque era de uma criança de onze anos que morreu”, lamenta o cineasta.
O diretor também ficou chocado ao saber que um primo havia engravidado uma sobrinha, que, segundo ele, na tradição local, são criadas como filhas. Ainda que a jovem tivesse 20 anos, não faltou indignação a Moussa, que saiu de Barbados – onde estava – para o Senegal, somente para repreender o primo.
A curadora e criadora da mostra, Ana Camila Esteves, é pesquisadora de cinema africano e diz que, para ela, Moussa é o maior cineasta senegalês vivo. Mas, além da importância dele, ela destaca uma ligação afetiva com a obra do diretor.
“Ele dirigiu o primeiro africano que vi na vida, Madame Brouette, que vi em 2003. Foi minha primeira experiência com o cinema africano e me fascinou muito. Fiquei emocionada quando, em São Paulo [que também recebe a Mostra], exibi o filme com Moussa ao meu lado.”
Moussa revela-se um admirador do colega Alassane Diago, documentarista que também estará em Salvador: “Sempre choro quando vejo os filmes dele, é um realizador incrível! Ele toca em temas como família, solidão e a saudade dos que partem. Ele filma de uma maneira que você percebe como ama os personagens, mas os respeita também. É um dos meus cineastas favoritos”.
Moussa destaca uma cena de As Lágrimas da Emigração filme de Alassane de 2010, que será exibido na mostra: “A primeira tomada, em que ele filma a própria mãe, é adorável. Ele filma de um jeito tão sensível que você sente o amor que ele tem por aquela mulher”.
O documentário mostra a mãe do diretor à espera pelo marido, que abandonou a casa há mais de 20 anos. A irmã de Alassane, que também viu o marido deixar o lar cinco anos antes, é outra personagem do filme. As Lágrimas da Emigração será exibido na quinta-feira, às 17h, com presença de Alassane, na Saladearte do Museu. Conhecendo Meu Pai e O Rio Não é uma Fronteira são outros documentários de Alassane que serão exibidos na Mostra.
Outro realizador que vem a Salvador é o nigeriano C.J. Obasi, que vai apresentar o drama fantástico Mami Wata (2023). O filme em preto e branco ganhou o prêmio de melhor direção de fotografia, assinada pela brasileira Lílis Soares, no Festival de Sundance (EUA). A fotógrafa e o diretor estarão na sessão de sexta-feira, às 19h30, no Glauber Rocha.
Mostra de Cinemas Africanos:
Quando: 13 a 18 de setembro
Local: Cine Glauber Rocha e Saladearte Cinema do Museu
Ingressos: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia)
Programação: http://mostradecinemasafricanos.com




