
Faleceu, nesta sexta-feira (23), o fotógrafo brasileiro Sebastão Salgado, aos 81 anos, em Paris, França. A informação foi confirmada pelo Instituto Terra, fundado por ele e sua esposa, Lélia Wanick. Além da companheira com quem era casado desde 1967, o fotógrafo deixa também os filhos Rodrigo e Juliano.
A causa do falecimento não foi divulgada. Nesta semana, o fotógrafo havia cancelado sua presença em um encontro para jornalistas também em Reims, alegando problemas de saúde. Salgado sofria de problemas de crônicos relacionados à malária, doença que contraiu nos anos 1990.
Nascido em Aimorés, Minas Gerais, em 9 de fevereiro de 1944 e iniciou sua carreira em 1973. Funcionário da Organização Internacional do Café, o brasileiro viajava com frequência para a África, onde começou a fotografar depois de experimentar uma câmera que sua mulher havia comprado em 1970.
Por conta da profissão, viajou por mais de 120 países para seus projetos fotográficos.
Em 2014, o documentário O Sal da Terra, codirigido pelo premiado cineasta alemão Wim Wenders e por Juliano Ribeiro Salgado, filho de Sebastião, foi premiado em Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Documentário.
Um humanista, Salgado dedicou seu olhar às injustiças do mundo, tendo fotografado a mineração e levantes sociais, como a Revolução dos Cravos, em abril de 1974, em Portugal, em inconfundíveis imagens em preto e branco que aliavam beleza e compromisso.

A consagração veio veio com suas fotografias da tentativa de assassinato do presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan em 1981, que presenciou enquanto cobria um evento presidencial em um hotel — Salgado tirou 76 fotos em 60 segundos.
No final daquela década, ganhou novo impulso com uma série de imagens em preto e branco de Serra Pelada, local de mineração de ouro na Amazônia que atraiu 50 mil trabalhadores que acalentavam o sonho de ficar ricos.
Ele também ficou conhecido como um dos principais defensores da preservação ambiental com suas fotografias da Amazônia. Em 1996, suas lentes testemunharam uma das maiores ocupações na história do MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra. O resultado foi o celebrado livro “Terra”, editado pela Companhia das Letras.
O falecimento de Salgado foi lamentado por figuras como o editor Luiz Schwarcz, publisher da Companhia das Letras, que afirmou ter com a morte de Salgado uma “grande perda”. “Era um perfeccionista, realmente. Além da amplitude, era muito preocupado com aspectos gráficos”.
O presidente Lula também publicou uma despedida. Em suas redes sociais, escreveu em nota: “Seu inconformismo com o fato de o mundo ser tão desigual e seu talento obstinado em retratar a realidade dos oprimidos serviu, sempre, como um alerta para a consciência de toda a humanidade”.
Me sinto profundamente triste com o falecimento de Sebastião Salgado, ocorrido na manhã desta sexta-feira.
— Lula (@LulaOficial) May 23, 2025
Seu inconformismo com o fato de o mundo ser tão desigual e seu talento obstinado em retratar a realidade dos oprimidos serviu, sempre, como um alerta para a consciência de… pic.twitter.com/4vjQQ0Tx4u
“Sua obra continuará sendo um clamor pela solidariedade. E o lembrete de que somos todos iguais em nossa diversidade”, completou o presidente.
Com informações de Folha de S. Paulo



