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Morre a ativista Assata Shakur, aos 78 anos, em Havana

Foto: BlackPast.org/Divulgação

A ativista dos direitos civis e ex-integrante do Partido dos Panteras Negras, Assata Shakur, faleceu nesta quinta-feira (25), aos 78 anos, em Havana, Cuba, onde vivia em exílio desde 1984. A informação foi confirmada pelo Ministério de Relações Exteriores cubano, que atribuiu a morte a problemas de saúde e idade avançada.

Nascida Joanne Deborah Byron, em 1947, Shakur ficou conhecida por sua militância contra o racismo nos Estados Unidos, tornando-se símbolo da resistência negra e da luta por justiça social. Ainda jovem, integrou o Partido dos Panteras Negras e, depois, o Exército de Libertação Negra.

Sua trajetória, porém, foi marcada por controvérsias. Em 1973, durante uma abordagem policial em Nova Jersey, um tiroteio resultou na morte do policial Werner Foerster e de Zayd Shakur, companheiro de Assata. Condenada pelo assassinato do agente em 1977, ela sempre afirmou inocência e denunciou perseguição política. Dois anos depois, conseguiu escapar da prisão e obteve asilo em Cuba, onde viveu até sua morte. Desde então, tornou-se figura central em disputas diplomáticas entre Havana e Washington.

Em 1998, o Congresso dos EUA exigiu sua extradição, o que foi reiterado por diferentes administrações americanas, inclusive durante os governos de George W. Bush, Barack Obama, Donald Trump e Joe Biden. Cuba, por sua vez, sempre rejeitou os pedidos, sustentando que se tratava de uma perseguida política.

Em 2005, Assata foi incluída na lista de terroristas do FBI, com recompensa de US$ 1 milhão por sua captura. O valor foi duplicado em 2013, quando se tornou a primeira mulher a figurar entre os terroristas mais procurados da agência.

Inclusive em 2017, durante a segunda rodada de conversas Cuba-EUA sobre a questão do contraterrorismo, inúmeras agências de notícias deram destaque à possibilidade de que surgisse um possível intercâmbio entre espiões e fugitivos. Houve menção de que os EUA entregariam Ana Belén Montes a Cuba, e que a ilha extraditaria em troca Joanne Chesimard. Em junho de 2017, Donald Trump, em seu primeiro mandato como presidente, exigiu a Cuba “devolver os fugitivos da justiça americana, incluindo o retorno da assassina de um policial Joanne Chesimard”.

No ano de 2018, o então senador republicano Marco Rubio e o democrata Bob Menéndez assinaram uma resolução que exigia “extradição imediata” de fugitivos dos EUA em Cuba, entre eles Joanne Chesimard. Em maio de 2025, o governo dos Estados Unidos renovou seu apelo à extradição de Joanne Chesimard.

O caso tem sido, por décadas, um ponto de atrito nas relações diplomáticas entre Washington e Havana. Enquanto o governo dos Estados Unidos insistia em sua extradição, as autoridades cubanas sustentavam que se tratava de uma perseguida política.

A figura de Shakur foi considerada, por algumas organizações como Black Lives Matter, um símbolo da resistência negra nos EUA, tendo sua obra “Assata: Uma autobiografia”, lançado em 1987, como inspiração. No Brasil, o livro foi lançado apenas em dezembro de 2020, pela editora Pallas, com tradução de Carla Branco.

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