
Faleceu na noite desta terça-feira (13), o médium e líder espírita Divaldo Franco, aos 98 anos, em Salvador. O óbito foi constatado às 21h45, quando Divaldo estava em sua casa, na sede da Mansão do Caminho, no bairro Pau da Lima. Ele recebia atendimento na modalidade home care.
A causa da morte ainda não informada, mas ele lutava contra um câncer na bexiga desde novembro do ano passado e, nesta noite, teve falência múltipla dos órgãos.
Nascido em 5 de maio de 1927, em Feira de Santana, Divaldo Franco era o caçula de 12 irmãos. A biografia disponível na Mansão do Caminho conta que ele desenvolveu a mediunidade ainda na infância, mas sofreu com críticas e até surras dos pais que não entendiam e consideravam suas visões “demoníacas”.
Com isso, seu contato inicial com o espiritismo foi difícil. Além da discriminação no meio familiar, Divaldo precisou lidar com visões perturbadoras e um espírito obsessor que o perseguia aos 7 anos.
Reconhecido como um dos principais líderes espíritas do país e embaixador da paz, Divaldo era natural de Feira de Santana (BA) e dedicou mais de sete décadas à divulgação da doutrina espírita no Brasil e no exterior. Ao longo de sua trajetória, realizou mais de 20 mil conferências em 71 países e publicou mais de 260 livros psicografados, com mais de 10 milhões de exemplares vendidos. Suas obras foram traduzidas para 17 idiomas.
Além do trabalho como escritor e conferencista, Divaldo desenvolveu um reconhecido trabalho social. A Mansão do Caminho, localizada no bairro Pau da Lima, atende diariamente mais de 5 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social, oferecendo serviços nas áreas de educação, saúde e assistência social. O complexo abriga 44 edificações, incluindo escolas, creches e unidades de atendimento médico.
Divaldo também ficou conhecido por ter adotado mais de 650 filhos ao longo da vida. Foi homenageado por mais de 800 instituições nacionais e internacionais por sua atuação humanitária. Ele era chamado carinhosamente de “Tio Divaldo” por muitos dos que foram acolhidos por seu trabalho.
A perda do líder religioso foi sentida por figuras públicas, como artistas e políticos. O músico Carlinhos Brown publicou uma despedida em seu Instagram: “A sua voz seguirá como cura abrangente e profunda a cada memória guardada dos nossos inconscientes coletivos, a cada mensagem deixada por ele“.
Por meio de nota, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, também se manifestou: “Recebo com profundo pesar a notícia do falecimento de Divaldo Franco, um dos maiores líderes espirituais do Brasil e um exemplo de dedicação à caridade, à paz e à promoção da dignidade humana. Sua partida deixa uma lacuna irreparável, mas seu legado de amor e serviço ao próximo permanecerá vivo por gerações”.
O governador Jerônimo Rodrigues lamentou a morte de Divaldo Franco em publicação na rede social X, onde escreveu sobre as recentes perdas de outras lideranças, como Papa Francisco e Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai.
Filho de Feira de Santana, Divaldo Franco levou a luz da nossa Bahia ao mundo e deixou um legado único no espiritismo. Sua partida se soma à recente despedida do Papa Francisco e de Pepe Mujica – líderes com trajetórias marcadas pelo amor, respeito e cuidado ao próximo. pic.twitter.com/zwqdvGjYPH
— Jerônimo Rodrigues (@Jeronimoba13) May 14, 2025
Um ato aberto ao público será realizado das 9h às 20h desta quarta-feira (14), no ginásio de esportes da Mansão do Caminho para que as pessoas prestem suas últimas homenagens. A pedido do médium, as cerimônias póstumas serão de curta duração, sem cortejo em carro aberto e o caixão permanecerá fechado. O sepultamento será às 10h de quinta (15), no Cemitério Bosque da Paz.
Com informações de Rede Bahia Itatiaia



