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Ministério da Saúde investe R$ 2,2 milhões na Hemorrede da Bahia visando soberania na produção de medicamentos

Equipamentos de ponta aumentarão a oferta de plasma para a Hemobrás; investimento nacional do PAC Saúde de R$ 116 milhões deve gerar economia anual de R$ 260 milhões

Foto: Leonardo Rattes

O Brasil avançou mais um passo na consolidação da soberania nacional na produção de medicamentos com a modernização do parque tecnológico da Hemorrede pública. Nesta sexta-feira (28), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou um investimento de R$ 2,2 milhões destinado especificamente ao estado da Bahia, que recebeu 11 novos equipamentos de alta tecnologia para qualificar os serviços de hemoterapia e ampliar o aproveitamento do plasma sanguíneo.

Os novos aparelhos beneficiarão diretamente cinco municípios baianos: Barreiras, Eunápolis, Feira de Santana, Salvador e Vitória da Conquista. A remessa inclui blast-freezers (congelamento ultrarrápido), ultrafreezers e freezers comuns, tecnologias que permitem o armazenamento do plasma em temperaturas de até -30°C. Essa condição é essencial para preservar a qualidade industrial das proteínas utilizadas na fabricação de hemoderivados.

O plasma, parte líquida do sangue, é a matéria-prima fundamental para medicamentos voltados a pacientes com hemofilia, imunodeficiências, doenças raras e para uso em grandes cirurgias. “Durante muito tempo, o Brasil não produzia os fatores que derivam do plasma e tínhamos que importar o tempo todo, gerando insegurança. É um passo muito importante para salvar a vida de tantas pessoas”, afirmou o ministro Alexandre Padilha, destacando a redução da dependência externa.

A iniciativa na Bahia faz parte de um aporte maior do Governo Federal através do Novo PAC Saúde, totalizando R$ 116 milhões para beneficiar 125 serviços de hemoterapia em 22 estados. A expectativa é que a modernização gere uma economia anual de R$ 260 milhões ao reduzir a necessidade de importação de medicamentos, garantindo um aumento inicial de 30% no aproveitamento do plasma coletado no país.

Luiz Catto, diretor da Hemoba, celebrou a chegada do maquinário, ressaltando o impacto na ponta do serviço. “Os novos equipamentos representam um avanço significativo para a qualidade e a segurança do nosso trabalho. Com essa modernização, ampliamos a capacidade de processamento e preservação do plasma, fortalecendo os serviços na capital e no interior do estado”, destacou. A Hemoba já registrou aumento no envio de bolsas de plasma para a indústria, saltando de 8.064 em 2024 para 11.936 em 2025.

Esse fortalecimento logístico é vital para abastecer a nova fábrica da Hemobrás, inaugurada em 2025 e considerada a maior da América Latina. Com a rede de frio adequada, a fábrica poderá atingir sua capacidade plena de processar até 500 mil litros de plasma por ano, transformando o material doado em imunoglobulinas, albumina e fatores de coagulação estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

A medida também visa corrigir um gargalo histórico: atualmente, apenas 13% do plasma coletado por doações voluntárias é usado em transfusões, deixando 87% disponível para a produção industrial de medicamentos. O investimento garante que esse excedente não seja descartado por falta de armazenamento adequado, valorizando o gesto dos mais de 3,3 milhões de doadores brasileiros que contribuíram em 2024.

Além da capacidade produtiva, a segurança do sangue brasileiro foi reforçada como referência internacional. A Hemorrede utiliza a Rede NAT (Testes de Ácido Nucleico), com tecnologia 100% nacional da Fiocruz, capaz de detectar vírus como HIV e hepatites antes mesmo da formação de anticorpos, além de ser a primeira do mundo a realizar triagem molecular para malária, assegurando alto padrão de qualidade para doadores e receptores.

O ministro encerrou o anúncio projetando o futuro da produção nacional, mencionando que a Fiocruz receberá novos investimentos via parceria público-privada para uma nova fábrica no Rio de Janeiro. A entrega total dos 604 equipamentos previstos para todo o território nacional deve ser concluída até o primeiro trimestre de 2026.

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