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MC Japa celebra título nacional e comenta papel transformador do freestyle para a juventude

Campeão do Duelo de MCs Nacional 2025, o artista baiano fala sobre amadurecimento, entrada no FMS, impacto do título para o Nordeste e responsabilidade de inspirar outros jovens da periferia

Caio Lima, o MC Japa, vencedor do Duelo de MCs Nacional 2025 | Foto: @pedrofatore

A vitória de MC Japa no Duelo de MCs Nacional 2025 coroou uma jornada de quase dez anos dedicados ao freestyle e às batalhas de rua da Bahia. Aos 24 anos, o artista de Águas Claras finalmente conquistou o título que perseguia desde a adolescência. Ele descreve o momento como algo que ainda está assimilando: “É difícil explicar em palavras como eu estou me sentindo. Foram quatro anos perdendo no Nacional, mas não são só quatro anos sonhando. Esse sonho vem de mais de dez anos”.

A conquista, que marca o terceiro título nacional do Nordeste e o segundo da Bahia, simboliza uma virada para a cena da região. Para ele, 2025 representou uma mudança histórica: “Nunca tiveram quatro nordestinos juntos na terceira fase do Nacional. O que rolou esse ano foi o início de uma grande revolução”. Japa diz que recebeu inúmeras mensagens de MCs do Nordeste após a final. “Muita gente me disse que o que conseguimos esse ano motivou eles a buscar os grandes eventos”.

Foto: @pedrofatore

O MC reconhece que a construção até esse momento foi feita de erros, aprendizados e amadurecimento. “Ano passado eu vacilei ali na final. Esse ano eu sabia que não podia repetir o mesmo erro. Cada derrota virou uma lição nova.” Para ele, voltar para casa com o troféu foi também um gesto para a comunidade que o formou: “A gente vive num lugar onde muita gente acha utópico sonhar. Eu espero que as pessoas tenham tirado motivação do que aconteceu. A parada é possível”.

Japa também vê sua vitória como parte de um impacto coletivo. “Quero ser para a Bahia pelo menos 5% do que alguns MCs foram para mim. Quando JayA Luuck estourou, ele mostrou para todo mundo que era possível viver disso. Ele inspirou 100% dos MCs da época”, comentou. Hoje, ele entende que ocupa esse mesmo lugar: “Quando você consegue um reconhecimento, vem a responsabilidade de inspirar outras pessoas. Mostrar que dá certo é importante para a comunidade”.

Foto: @pedrofatore

O ano de 2025 marcou outra virada: sua entrada na Freestyle Master Series (FMS), a liga mais importante de batalhas profissionais do mundo. Japa relembra o impacto desse convite: “Receber salário para rimar era algo que eu nunca imaginei. Quando eu assinei o contrato, saí direto para a Batalha da Norte e fui campeão no mesmo dia. Me motivou muito.”

Mesmo após o título nacional, Japa deixa claro que não pretende desacelerar. “Muita gente acha que eu vou parar de batalhar, mas não. Ano que vem quero desempenhar meu melhor nível de rima. Quero rimar com mais qualidade. Tenho muito a melhorar no freestyle e também quero focar no FMS e também lançar mais projetos musicais”. Para ele, as batalhas seguem como parte essencial da sua formação: “Eu rimava por amor e pela necessidade de me expressar. Hoje quero que minha caminhada mostre que é possível viver disso”.

Foto: @pedrofatore

Entre vitórias, derrotas, amadurecimento e novos sonhos, o campeão nacional se prepara para iniciar uma nova fase da carreira sem esquecer o lugar de onde veio. Em suas palavras: “Aqui onde eu moro, poucas pessoas conseguem viver do sonho. Então, mostrar que dá para chegar lá é o papel mais importante que um MC tem”.

A ascensão de Japa simboliza uma movimentação maior na cena nordestina, que já se consolidou como uma das mais potentes do país. Entre derrotas, maturidade, vitórias e novos sonhos, o MC baiano transforma sua trajetória em combustível para quem começa agora e busca enxergar no freestyle mais que uma batalha: um caminho possível.

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