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Marcos Uzel celebra 30 anos do Prêmio Bahia Aplaude em nova edição do livro ‘A Noite do Teatro Baiano’

Marcos Uzel lançou 2ª edição de obra sobre Prêmio Bahia Aplaude | Foto: Patrícia Bernardes

O Museu de Arte da Bahia (MAB) foi palco de uma noite especial dedicada à celebração da memória e da força do teatro baiano, nesta segunda-feira (20), para o lançamento do livro “A Noite do Teatro Baiano: 2ª Edição Revista e Ampliada”, de Marcos Uzel. Apesar das fortes chuvas, o evento contou com a presença de artistas premiados do cenário nacional do teatro baiano, além de gestores culturais, fazedores de cultura e empresários do ramo do teatro experimental da Bahia.

O lançamento teve uma sessão de autógrafos que emocionou artistas, produtores e instituições citadas na narrativa do jornalista, reunindo nomes que fizeram parte de sua trajetória de 30 anos de vivência e pesquisa. A obra tem 459 páginas e está disponível em versões impressa e digital. Publicada pela Editora P55, a obra marca a trajetória do Prêmio Bahia Aplaude, que há três décadas reconhece, incentiva e valoriza as artes cênicas da Bahia.

“É engraçado falarmos de tecnologia e também de memória. É bonito isso. Este livro é uma ampliação de um projeto que lancei em 2010, ‘A Noite do Teatro Baiano’. De lá para cá, o Prêmio Bahia Aplaude ganhou mais 15 anos de exibição, e a proposta desta nova edição é justamente registrar os 30 anos de realização do prêmio e, por extensão, documentar a memória do teatro baiano. É interessante falarmos de identidade, pois uma das características deste livro é o crescimento e a representatividade do teatro negro na Bahia. Ele se empoderou muito, e isso está documentado. O teatro negro une arte e ativismo, e esse empoderamento é uma das marcas desta releitura”, destacou o escritor, pesquisador e jornalista Marcos Uzel.

Em maio deste ano, com uma plateia lotada de fazedores de cultura da Bahia e do Brasil, a 30ª edição do Prêmio Bahia Aplaude reafirmou a força do teatro independente nas instalações do Teatro Sesc Casa do Comércio. Em uma noite histórica, cercada de homenagens a quem luta pela cultura nos palcos do Brasil e do mundo, nomes como Thiago Romero, Jarbas Bittencourt, Ângela Daltro, Kátia Leal, Paulo Henrique Alcântara, Liz Novais, Filêmon Cafezeiro e Elísio Lopes Jr. mostraram o tão conhecido jargão musical “O que é que a baiana tem”, eternizado por Carmen Miranda, lembrando que a Bahia tem, sim, “o molho”.

Foto: Enzo Angelo/@enzoka.rev

“Este livro marca um período histórico do teatro baiano e deixa um registro fundamental. Sabemos que a oralidade é de extrema relevância, mas, quando algo é registrado em uma obra como esta, torna-se um livro de ouro. São artistas baianos que passaram pela nossa história, e muita gente nem conhece. Por meio deste documento, teremos a memória dessas pessoas viva novamente, suas histórias, suas construções, pois sabemos que a arte é complexa. Todos poderão ter uma noção do que foi e do que é o teatro baiano”, vibrou a atriz Ângela Daltro, vencedora da categoria Performance do Prêmio Bahia Aplaude 2025, com a peça Noiva.

Daltro, que completa 20 anos de atuação na cena do teatro preto independente, afirmou que artistas pretos têm a sua própria tecnologia como estratégia, que resiste ao tempo. Para ela, ao longo dos anos, atrizes e atores negros vêm criando novas formas de manter a proximidade com o público e de preservar a linguagem corporal que o palco exige.

A presidente da Funarte, Maria Marighella, também marcou presença no lançamento do livro. Criada em 1975, a Fundação Nacional de Artes é o órgão do Governo Federal responsável por promover e incentivar a produção e o desenvolvimento das artes no país.

“É uma alegria enorme receber a memória dos anos do Prêmio Bahia Aplaude por meio deste livro. À medida que ele conta a história do prêmio, também revela a cena teatral contemporânea, o que aconteceu nestes mais de 30 anos de premiação. É uma celebração de uma pesquisa engajada com a crítica e o jornalismo cultural. O livro mostra o que aconteceu com a Bahia, com o teatro, e como outras cenas foram se revelando com o tempo”, afirmou Marighella. Ela ressaltou ainda estar ansiosa para ler a obra, que considera uma “pesquisa profunda e comprometida com a linguagem da presença, do ao vivo”, em um mundo cada vez mais virtual e digital.

O encenador, dramaturgo e gestor cultural Márcio Meirelles, amigo de Uzel, também prestigiou o evento no MAB e destacou a importância da memória registrada pelo prêmio. “É fundamental ter o registro de um prêmio como o Bahia Aplaude, que já mudou de nome e de patrocínio várias vezes, mas continua mantendo sua importância e significado. Ele celebra, premia e documenta a história do teatro baiano”, afirmou.

“Os dois livros de Marcos Uzel vão além e são um luxo. Ele é um ser humano incrível, apaixonado pelo teatro baiano e por essa memória. É sempre bonito ler e ouvir as narrativas de alguém tão envolvido. O teatro se alimenta do presente, do que acontece agora. Este lançamento é fruto do passado e semente do futuro. A tecnologia sempre fez parte do teatro. Um dia não tínhamos luz elétrica, e quando surgiu, ela se tornou narrativa. O teatro incorpora todas as tecnologias e suas histórias”, completou Meirelles.

Foto: Enzo Angelo/@enzoka.rev

O Prêmio Bahia Aplaude 2025 tem como objetivo fortalecer a cadeia criativa do teatro, agregando marcas que acreditam no potencial transformador da arte, como a Braskem, tradicional apoiadora do teatro baiano. A iniciativa conta com o apoio do Programa Fazcultura, da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA) em parceria com a Secretaria da Fazenda (Sefaz).

O lançamento de A Noite do Teatro Baiano foi aberto ao público e marcou um encontro entre gerações do teatro baiano, com a presença de nomes como Cássia Valle, atriz, diretora e integrante do Bando de Teatro Olodum, grupo que completou 35 anos em outubro e é citado na obra; e Lelo Filho, ator e diretor da Companhia Baiana de Patifaria, grupo de comédia criado em 1987.

“Acho importantíssimo este lançamento como mais um registro que o teatro brasileiro ganha, não apenas o teatro baiano. Há tão poucos registros e, a cada um deles, ganhamos todos nós: público, artistas, produtores, atores e diretores. Marcos Uzel acompanha a trajetória da nossa companhia desde o início, há 38 anos. O que ele faz é mostrar a evolução e o poder do teatro baiano dentro do cenário nacional, especialmente na comédia. Uma das primeiras imagens do livro é uma homenagem a um de nossos atores, Moacir Moreno. É tudo muito significativo e emocionante”, destacou Lelo Filho.

O lançamento de A Noite do Teatro Baiano: 2ª Edição Revista e Ampliada integra a programação do Festival Teatro da Bahia, realizado pela Polo Cultural, com coordenação da Aplaude Produções e parceria da Caderno 2 Produções e do Museu de Arte da Bahia. O projeto conta com patrocínio da Braskem e do Governo do Estado da Bahia, por meio do Programa Fazcultura, da Secretaria de Cultura e da Secretaria da Fazenda.

Texto por: Patrícia Bernardes Sousa – jornalista, redatora, colunista, mobilizadora de projetos de Impacto Social em Educação, Letramento e Cultura Identitária e repórter colaboradora do Portal Umbu.

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