
O Pelourinho é território da vida, da cultura, da arte e da celebração da negritude, processo que o Olodum ressignifica há 46 anos. Por isso, a presença de MC Cabelinho no Pelô é motivo de alegria.
Foi bonito ver um artista preto periférico caminhando entre nós, sentindo o peso ancestral das pedras do Pelô e sendo recebido com carinho e admiração. Sua passagem fortalece nossa cultura, aproxima territórios e reafirma o que dizemos há décadas: o Pelourinho é casa de quem honra sua raiz.
A presença de MC Cabelinho pelas ruas do Pelourinho gerou grande repercussão. Porém, um episódio marcado pela aproximação intensa dos fãs, transformou o encontro em uma movimentação inesperada. O que se divulgou como tentativa de assalto foi, na verdade, o retrato da energia afetiva, às vezes desordenada, que artistas negros despertam quando são reconhecidos como pertencentes ao nosso povo.
O incidente não define quem somos. O Pelourinho não é mais palco de medo. O tumulto nasceu da paixão do público, não de violência premeditada. Narrativas que tentam retratar o Pelourinho como lugar de perigo repetem estigmas coloniais que combatemos diariamente com trabalho, arte e presença comunitária.
Cabelinho percorreu o Pelô desde cedo, acompanhado pelos gritos e sorrisos dos fãs: “É ele! É ele!”. Esse encontro afetivo deve ser transformado em futuro. Se houve correria, organizemos o caminho. Se houve susto, fortaleçamos o acolhimento. A cultura preta merece segurança, planejamento e cuidado para artistas, fãs, moradores e trabalhadores.
A visita de MC Cabelinho ao Pelourinho para curtir o FEMADUM foi um chamado. Um convite para voltar com a calma do diálogo e a força da arte. Voltar para construir pontes, aprender, ensinar e caminhar conosco. Voltar porque sua presença é simbólica, importante e necessária.
O Olodum reconhece o valor de sua trajetória, sua potência artística e a alegria que ele espalhou pelo território. Acreditamos na sua conexão com este chão, com o público e com a comunidade. Queremos vê-lo aqui mais vezes, compartilhando música, afeto e propósito com seu povo.
O Pelourinho segue de portas abertas, com a cultura negra pulsando. E o Olodum permanece fazendo o que sempre fez: transformar encontros em potência e resistência, que vibra no toque vivo de nossos tambores!!
“O Olodum é pela vida
É pelo amor, mas que beleza
Salve, salve o deus dos deuses, Olodum
Pela paz e pela fé nesta bandeira…
Eu sei que o amor é a luz, pra um novo mundo
Venha ser o verbo com prazer
Superando o ego e as barreiras vis do mundo
Fazendo o Olodum acontecer!”
(Adailton Poesia e Walter Farias)



Texto maravilhoso!