
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (20) que a privatização da BR Distribuidora retirou do país um instrumento estratégico para conter a alta dos preços dos combustíveis. A declaração foi feita durante evento na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), onde também foram anunciados novos investimentos da Petrobras.
Segundo Lula, a venda da distribuidora comprometeu a capacidade de o governo garantir que os preços praticados pela estatal cheguem ao consumidor final. “Se a BR Distribuidora estivesse na nossa mão, haveria garantia de que o preço da Petrobras chegaria na bomba. Agora, ganha o distribuidor privado e o consumidor fica prejudicado”, afirmou.
O controle da BR Distribuidora foi vendido em 2019, por cerca de R$ 9,6 bilhões, durante o governo anterior. A operação também foi alvo de críticas do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que classificou a venda como prejudicial à política energética nacional.
Durante o evento, Lula voltou a questionar argumentos favoráveis à privatização, especialmente a ideia de que empresas públicas do setor energético não seriam rentáveis. Segundo ele, a própria Petrobras tem demonstrado desempenho financeiro robusto, figurando entre as empresas mais lucrativas do país.
O presidente também defendeu a criação de uma política de estoques reguladores de combustíveis, como forma de reduzir os impactos de crises internacionais sobre os preços internos. A proposta foi apresentada como um desafio à presidente da estatal, Magda Chambriard.
A Petrobras anunciou investimento de R$ 3,8 bilhões na Regap até 2030, dentro de um plano mais amplo de R$ 9 bilhões para Minas Gerais. A expectativa é de geração de cerca de 8 mil empregos diretos na refinaria e até 36 mil no estado.
Os recursos serão destinados à ampliação da capacidade produtiva, modernização das operações e iniciativas de transição energética. A refinaria, que atualmente processa cerca de 166 mil barris de petróleo por dia, já iniciou obras para ampliar a capacidade em 25 mil barris diários, com previsão de conclusão em 2027.
Entre os projetos em andamento está a instalação de uma usina fotovoltaica, com investimento de R$ 63 milhões. A estrutura contará com cerca de 20 mil placas solares e capacidade para gerar energia suficiente para aproximadamente 10 mil residências, reduzindo em até 20% o consumo energético da unidade.
A iniciativa deve evitar a emissão de cerca de 8 mil toneladas de dióxido de carbono por ano e integra o plano de descarbonização da Petrobras.
Além disso, a refinaria já iniciou a produção de Diesel R, com conteúdo renovável, e prepara a implementação do combustível sustentável de aviação (SAF), alinhado às exigências ambientais internacionais.
A Regap responde por cerca de 9% da produção de derivados da Petrobras e deve ampliar ainda mais sua participação com os novos investimentos. Estudos também avaliam uma expansão adicional de até 59 mil barris por dia, o que pode elevar a capacidade atual em até 50%.
A companhia mantém cerca de 16 mil fornecedores cadastrados em Minas Gerais, com 480 contratos ativos que somam aproximadamente R$ 28 bilhões, reforçando o impacto da estatal na economia regional



