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Legado de Môa do Katendê chega às telas de cinema

Multiartista baiano dedicou a vida a propagar a cultura afrobrasileira

“Eu dedico tudo ao candomblé e à capoeira”, costumava dizer o baiano de Salvador, mestre de capoeira e símbolo da resistência cultural, Môa do Katendê.

A partir da próxima quinta-feira (3), a dedicação, o legado e a força de transformação cultural e social do multiartista chegarão às grandes telas do circuito comercial de cinema brasileiro no documentário “Môa, Raiz Afro Mãe”.

Antes do lançamento oficial, produção terá pré-estreia amanhã (2) em Salvador. A exibição será realizada na Saladearte do CineMAM, no Solar do Unhão, na avenida Contorno, às 19h30,

Além de entrevistas com o próprio Môa, gravadas nos primeiros meses de 2018, quando a ideia do filme começou a ganhar materialidade, a história do artista é contada em imagens e depoimentos de familiares, ex-parceiros,  alunos e grandes nomes da cultura baiana, a exemplo de Gilberto Gil, Lazzo Matumbi e Russo Passapusso, do BaianaSystem, entre outros.

MÔA:

Romualdo Rosário da Costa nasceu em outubro de 1954, na capital baiana. Cresceu e viveu em meio à multiplicidade cultural efervescente do bairro Engenho Velho de Brotas. No final da década de 1970, quando se assumiu mestre de capoeira, Môa do Katendê, iniciou uma verdadeira revolução por meio da arte, do Carnaval soteropolitano, onde colocou nas ruas o Afoxé Badauê. Môa defendia o espalhamento da cultura afro como forma de reconexão, mas também como caminho de ascensão social, sobretudo para a juventude negra.

Mestre Môa foi brutalmente assassinado na madrugada do dia 8 de outubro de 2018, aos 63 anos, em meio às disputas eleitorais. O artista foi morto com 12 facadas em um bar, no bairro onde cresceu. A eleição presidencial no Brasil fizera Môa interromper uma temporada na Europa. Retornou para a cidade natal com o objetivo de rever amigos e familiares, além de votar.

Produzido pela Kana Filmes e dirigido por Gustavo McNair, Môa, Raiz Afro Mãe tem como objetivo celebrar a vida do mestre.

“A morte é um fato biográfico importante, mas a gente não fica explorando. A vida inteira do Môa é política. Depois da morte dele a gente continuou tendo certeza que o filme deveria ser sobre a vida para devolver para ele esse lugar da cultura. Deixar ele imortalizado no imaginário popular da maioria das pessoas que o conheceu depois da morte, nesse lugar do mártir político. Ele é muito mais do que isso”, McNair, que também assina o roteiro do documentário.

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