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Justiça da Bahia suspende pela 3ª vez o júri do caso de feminicídio de Tainara dos Santos e deixa julgamento sem nova data

Adiamento reforça negligência do sistema de justiça diante do feminicídio da jovem quilombola e prolonga a espera da família 

Foto: Divulgação

Em uma decisão que evidencia a negligência do Judiciário baiano diante de crimes de feminicídio contra mulheres negras, o julgamento do Caso Tainara dos Santos, que aconteceria na próxima quinta-feira (12), foi adiado pela terceira vez, a pedido da defesa. A decisão, no entanto, não estabelece uma nova data para o júri, deixando o processo em suspenso por tempo indeterminado e aprofundando a revitimização da família.

Tainara dos Santos tinha 27 anos, era trancista, mãe de duas meninas e moradora da comunidade quilombola de Acutinga Motecho, no território da Bacia do Iguape, em Cachoeira (BA). Ela foi vista pela última vez em 9 de outubro de 2024, após sair para encontrar o ex-companheiro, apontado como principal suspeito do crime, e que permanece preso preventivamente. O inquérito, o Ministério Público e a sentença de pronúncia reconhecem o caso como feminicídio sem corpo.

A sucessão de adiamentos expõe um padrão recorrente nos processos envolvendo violência contra mulheres no Brasil: estratégias jurídicas que retardam julgamentos e prolongam a dor de quem perdeu uma filha, uma mãe, uma irmã e uma amiga. Na prática, essas manobras acabam produzindo mais  violência institucional, que impõe às famílias anos de espera, incerteza e desgaste emocional.

Casos envolvendo mulheres negras e lideranças de comunidades tradicionais evidenciam como essa dinâmica se repete. O assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete Pacífico, executada em agosto de 2023 no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho (BA), também mobilizou uma longa luta da família e dos movimentos sociais por respostas e responsabilização efetiva. Mesmo diante da gravidade do crime, os processos seguem atravessados por atrasos e obstáculos institucionais que prolongam o sofrimento coletivo.

Quando o julgamento de um feminicídio é sucessivamente adiado, e agora suspenso sem qualquer previsão de nova data,  o que acontece é o fortalecimento da opinião pública sobre impunidade, com a evidência de um sistema que falha em garantir respostas à altura da gravidade do crime.  A espera pela justiça se transforma em mais um capítulo da violência para as famílias e comunidade.

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