
E, na aurora da Senzala do Barro Preto, pai Jitolú consagra mãe Eowá.
Contrariando todas as expectativas, na noite da 45ª Noite da Beleza Negra, neste sábado (17), em plena madrugada no bairro do Curuzu – Liberdade, uma jovem mulher negra de 27 anos, professora declarada com autenticidade, poeta voraz dos saraus da Bahia, performer dos desafios e das vitórias da maternidade atípica no Brasil, foi quem recebeu as bênçãos de sua mãe ancestral Eowá e se tornou a Rainha do Bloco Afro Ilê Aiyê em 2026.
Carol Xavier é uma colheita baiana bonita, posso afirmar, oriunda das semeaduras constantes do Sarau da Onça, criado em 2011, no bairro da Sussuarana, para sensibilizar as pessoas sobre os desafios que o território enfrenta. Mesmo diante da ausência de uma poesia ancestral que acolha os desafios de ser uma mulher negra multifuncional no Brasil, a jovem Carol Xavier chega a 2026 afirmando que é possível ser o que quisermos no Aiyê (céu) e nos Ilês (casas) que escolhermos habitar.
No Brasil, onde cerca de 2,4 milhões de pessoas são diagnosticadas com autismo, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), mãe Ewá apresenta a pai Jitolú sua Rainha da Beleza Negra em 2026. De acordo com dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentados em junho de 2025, o país conta com 2,4 milhões de mães de pessoas diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista, entre outras neurodiversidades, e aproximadamente 10 milhões de mulheres que se dedicam exclusivamente aos cuidados com seus filhos. E o bairro da Sussuarana não se recusou a ser boa água doce para a quartinha sedenta de vitória de Carol Seixas. Uma rede de apoio popular e periférica fortalecendo o ori (cabeça) dessa jovem, após noites e noites de devoção e lágrimas em seu roncó (espaço sagrado) mental diário.
Carol Seixas, filha da dona da visão, da beleza e da transformação, nada seria sem a misericórdia e o amor de sua mãe Ewá e a grandeza de pai Jitolú. Rainha do Bloco Afro Malê Debalê, Princesa do Bloco Afro Ilê Aiyê, a jovem mãe atípica, professora, dançarina e jornalista evidencia o quanto as estatísticas de burnout, neste Janeiro Branco, nos convidam a retornar aos preceitos ancestrais da fé quando o tema é a sanidade mental e a saúde física das mulheres negras no Brasil.
O país vive uma crise de saúde mental com impacto direto na vida de trabalhadores e empresas, como revelam dados do Ministério da Previdência Social sobre afastamentos do trabalho. Em 2024, foram quase meio milhão de afastamentos — o maior número em pelo menos dez anos. E, ainda assim, contrariando todas as estatísticas, Carol Seixas é apresentada ao mundo como a 45ª Rainha da Beleza Negra do Bloco Ilê Aiyê 2026, o primeiro bloco afro do Brasil, criado em 1974, três anos antes de eu mesma, Patrícia Bernardes, jornalista yawô Ojú Laiê, ter nascido na Bahia.
Mãe Hilda Jitolú, a Doné, educadora e responsável por fundar a Escola Mãe Hilda Jitolú, certamente celebra no Aiyê, assim como sua sucessora, Doné Hildelice Benta, no Ilê. Mãe Eowá resgata e traz à luz o ofício mais antigo do Brasil: ser professora. A profissão docente tem recebido reconhecimento e valorização significativos, especialmente com a recente sanção da Lei nº 15.326/2026, que reconhece oficialmente os professores da educação infantil como profissionais do magistério. A legislação assegura direitos fundamentais, como acesso ao piso salarial nacional e enquadramento em planos de carreira, refletindo diretamente nas condições de trabalho, remuneração e estabilidade dos educadores da primeira infância.
A economia criativa brasileira celebra mais um avanço no campo das artes com a vitória da baiana Carol Seixas, coroada 45ª Rainha da Beleza Negra do Ilê, na Senzala do Barro Preto, no bairro do Curuzu, em Salvador. Em novembro de 2025, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 4.768/2025, que reconhece e regulamenta a profissão de quem atua na área da dança, como dançarinos, bailarinos, coreógrafos e demais profissionais do setor. Pai Jitolú consagra mãe Eowá em todas as suas visões profissionais por meio de sua filha, a rainha Carol Seixas.
Quantas ações profissionais pai Jitolú, o rei de Daomé, celebra com a chegada da filha de mãe Eowá? Inúmeras. Que Exú, orixá, permita que nossa irmã de axé, a jovem Carol Seixas, continue forte e voraz em seus sonhos empreendedores, mesmo diante desse ebó de comportamento ao qual nós, mulheres profissionais do jornalismo diplomadas, somos submetidas com a aprovação e publicação, neste Janeiro Branco de 2026, da Lei nº 15.325/2026, no Diário Oficial da União.
Com o reajuste do salário mínimo em 2026 para R$ 1.621, a contribuição previdenciária mensal da categoria empreendedora no Brasil também foi reajustada, passando de R$ 75,90 para R$ 81,05. Além desse valor destinado à Previdência Social, o MEI deve pagar tributos fixos que variam conforme o setor de atuação. Esses valores são fixos e não dependem do faturamento mensal.
Costumo dizer aos meus leitores e seguidores nas redes sociais: “Que o Rei da Terra nunca nos deixe sem chão.” Que nossa mãe Vodun Asa Labé, conhecida como Yewá (Eowá), nos abrace e acolha em tudo o que está oculto e em tudo o que ainda está por vir em 2026.
Texto: Patrícia Bernardes – jornalista, redatora, mobilizadora de projetos de impacto social em educação, letramento e cultura identitária, e repórter colaboradora do Portal UMBU.


