
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em transmissão cadeia nacional de rádio e televisão neste domingo (30), que a nova isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais deve injetar cerca de R$ 28 bilhões na economia. A medida foi sancionada na última quarta-feira e, segundo o governo, representa um passo importante para a redução das desigualdades.
Lula destacou que a mudança cumpre uma promessa de campanha e tem como objetivo devolver parte da riqueza produzida pelos trabalhadores à própria população. O presidente defendeu que o alívio tributário nas faixas de renda mais baixas aumenta o poder de compra e estimula o consumo.
Além da isenção total para rendimentos de até R$ 5 mil, a lei aplica descontos para pessoas que ganham entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350. A estimativa oficial é que cerca de 10 milhões de contribuintes deixem de pagar o imposto e outros 5 milhões passem a pagar menos.
No pronunciamento, Lula citou o exemplo de quem recebe R$ 4.800 por mês, que poderá economizar até R$ 4 mil por ano. Para o governo, esse dinheiro adicional tende a aquecer o comércio, a indústria e os serviços, impulsionando novas contratações.
Para compensar a redução da arrecadação, a lei também cria uma tributação adicional para os contribuintes com renda anual acima de R$ 600 mil. O grupo, estimado em 140 mil pessoas, pagará uma alíquota extra de até 10%.
Mesmo com o avanço, o governo reconhece que a medida não atualiza completamente a tabela do Imposto de Renda. A correção integral, segundo a equipe econômica, teria um impacto fiscal superior a R$ 100 bilhões anuais e foi considerada inviável no momento.
Lula afirmou que o país ainda convive com uma forte concentração de renda. Segundo ele, 1% dos mais ricos detém 63% da riqueza nacional, enquanto metade da população possui apenas 2%. O presidente afirmou que a mudança no IR é apenas o início de um processo de construção de um sistema tributário mais equilibrado.
O governo aposta que o incremento no poder de compra das famílias ajudará a movimentar a economia e a promover inclusão. Lula encerrou o pronunciamento reforçando que, para crescer de forma sustentável, o Brasil precisa garantir mais justiça fiscal e ampliar oportunidades para a maioria da população.


