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Instalação performativa “Ossalitres” estreia temporada gratuita no Museu de Arte da Bahia

Foto: James Barreiros

Salvador recebe, entre os dias 28 de março e 1º de abril, a temporada gratuita de “Ossalitres | 2ª crioullage de Diego Araúja”, nova criação do artista baiano que propõe uma experiência híbrida entre teatro, artes visuais e audiovisual. As apresentações acontecem no Museu de Arte da Bahia (MAB), no Corredor da Vitória, com duas sessões diárias, às 18h e 19h30.

Realizada pela Plataforma ÀRÀKÁ, a obra é concebida por Diego Araúja e conta com performance da artista transdisciplinar Laís Machado. Mais do que um espetáculo tradicional, Ossalitres se apresenta como uma vídeo-instalação performativa que tensiona as fronteiras entre linguagens artísticas e convida o público a uma experiência imersiva e sensorial.

O trabalho dá continuidade à pesquisa desenvolvida por Araúja a partir do conceito de “crioullage”, uma poética de encenação que articula elementos como performance, espaço, som e imagem, preservando a autonomia de cada linguagem. A proposta, iniciada em trabalhos anteriores como Quaseilhas (2018-2020), ganha novos desdobramentos nesta montagem, que assume caráter experimental e processual.

A narrativa de Ossalitres parte de um grupo ficcional de intelectuais afrodiaspóricos e africanos que, na década de 1960, teriam se reunido em Salvador para fundar o chamado “Congresso de Sal”. Esses personagens, denominados “salitres”, conduzem um manifesto performático que atravessa memória, política e imaginação, dialogando com eventos históricos reais das lutas negras no Brasil e no mundo ao longo do século XX.

Em cena, imagens documentais de manifestações e figuras históricas são projetadas enquanto a performer constrói, ao vivo, uma narrativa que mistura ficção e realidade. A sobreposição de camadas histórica, política e poética, revela o eixo central da obra: a memória negra como território em disputa.

A experiência do público é construída dentro de uma arquitetura efêmera, com dispositivos espaciais e imersivos que transformam o ambiente em parte ativa da narrativa. A proposta amplia a dimensão sensorial da obra e reforça a ideia de uma encenação expandida, que vai além do formato convencional.

A dramaturgia inclui textos inéditos do escritor camaronense Gilbert Ndi Shang, professor da Universidade de Bayreuth, na Alemanha, enquanto a trilha sonora reúne composições do músico moçambicano Matchume Zango. A combinação de referências internacionais com a pesquisa local reforça o caráter transnacional da obra.

Com cerca de 30 a 40 minutos de duração, Ossalitres se apresenta como uma primeira versão aberta ao diálogo com o público, mantendo o caráter experimental da proposta. Segundo Araúja, a criação se desenvolve no encontro com os espectadores, incorporando risco, escuta e transformação contínua.

A montagem integra a trajetória da Plataforma ÀRÀKÁ, coletivo fundado em 2016 por Diego Araúja e Laís Machado, que atua na interseção entre arte, memória afrodiaspórica e experimentação. O grupo já participou de eventos nacionais e internacionais, incluindo a 35ª Bienal de São Paulo, e desenvolve projetos que conectam artistas e territórios em redes de intercâmbio.

O projeto foi contemplado pelo edital Gregórios – Ano IV, com recursos da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura. As apresentações são gratuitas e abertas ao público.

SERVIÇO OSSALITRES | 2ª crioullage de Diego Araúja
Realização: Plataforma ÀRÀKÁ
Museu de Arte da Bahia – MAB (Corredor da Vitória, Salvador – BA)
28, 29 e 31 de março e 1º de abril de 2026 – duas sessões diárias, às 18h e 19h30
Entrada gratuita

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