Painel reuniu jornalistas e executivos da comunicação corporativa no Centro de Convenções Salvador nesta sexta (08)

O Index 2026, maior evento da indústria no Nordeste, realizou na tarde desta sexta-feira (08), no Centro de Convenções Salvador, o talkshow “Como a indústria se comunica com a sociedade: o papel da assessoria de comunicação”. O encontro reuniu profissionais da área para discutir os desafios da comunicação institucional diante da circulação intensa de informações, da pressão pública e da necessidade de respostas rápidas por parte das empresas.
O debate teve mediação do jornalista Donaldson Gomes, editor de Economia do jornal Correio, e contou com a participação da diretora da agência Darana RP, Cândida Silva, da gerente de Comunicação Institucional do Sistema FIEB, Monica Mello, e do analista de Relações Institucionais da Braskem na Bahia, Rafael Veloso. O encontro foi apresentado pela jornalista Emanuele Pereira.
Ao abrir o painel, Donaldson Gomes citou o conceito de “sociedade da transparência” para analisar as mudanças no fluxo da informação e no ambiente de comunicação. Segundo ele, o cenário atual é marcado pela exposição permanente e pela descentralização da produção de conteúdo, impulsionada pelas redes sociais. “Nesse contexto, a imprensa tradicional atua como curadora diante do excesso de conteúdo produzido diariamente”, afirmou.
Donaldson também questionou a dificuldade das empresas em adotar práticas preventivas diante de crises de imagem. “A crise deve ser prevenida, não remediada”, disse. O jornalista destacou ainda as mudanças nas redações e afirmou que equipes mais enxutas exigem das assessorias materiais mais objetivos e completos para apoiar a apuração.
Especialista em gestão de crise, Cândida Silva afirmou que a transparência se tornou um elemento central para a construção da reputação das empresas em um ambiente no qual “todo mundo é emissor e receptor”. Segundo a diretora da Darana RP, a comunicação precisa participar das decisões estratégicas e não atuar apenas quando a crise já está instalada. “Se um problema é identificado, é preciso reunir todas as lideranças com a comunicação e discutir o planejamento junto”, afirmou. Ela também ressaltou a necessidade de preparação dos porta-vozes antes de entrevistas e coletivas.
Diante do excesso de informações nas redes sociais, Cândida destacou a importância da imprensa tradicional para a sociedade e credibilidade da notícia e defendeu que as empresas devem considerar as diferenças regionais como estratégia de comunicação. “Precisa falar de baiano para baiano, considerando os veículos locais, os blogs da região e os porta-vozes locais”, disse.
Para Monica Mello, a comunicação atual exige diálogo constante com públicos diferentes. “A comunicação hoje é horizontal, ninguém mais tem o controle da narrativa”, afirmou. Ao abordar crises institucionais, a gerente de Comunicação Institucional da FIEB destacou que transparência não significa exposição sem estratégia e afirmou que o planejamento deve ocorrer antes de situações críticas. “Crise instalada é administração e não gestão”, declarou.
A comunicação corporativa precisa trabalhar com indicadores e dados concretos para dialogar com o ambiente empresarial, segundo Mônica. “Mas o indicador máximo é a reputação”, disse ao defender que todos os dados de mensuração devem levar isso em consideração.
Rafael Veloso afirmou que a territorialidade ocupa papel central na comunicação desenvolvida pela Braskem na Bahia e destacou a importância da relação com as comunidades vizinhas para evitar crises. “Estamos muito atentos aos vizinhos, comunicando com transparência com os diversos stakeholders”, afirmou.
Para Rafael, a prevenção depende do acompanhamento constante dos cenários e da construção de diálogo permanente com os territórios onde a empresa atua. “É preciso identificar previamente os possíveis cenários de crise e estar preparado, considerando todos os cenários, sem esperar a crise instalada”, declarou.




