
O governo Trump anunciou nesta terça-feira (22) a retirada dos Estados Unidos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A justificativa apresentada pelo Departamento de Estado americano foi de que a agência é “ideológica” e promove “causas polarizadoras”.
“A Unesco promove causas sociais e culturais polarizadoras e mantém um foco desproporcional nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, uma agenda ideológica e globalista de desenvolvimento internacional que vai contra nossa política externa America First [EUA em primeiro lugar, em tradução livre]”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, em comunicado, antes de criticar a decisão da Unesco de reconhecer a Palestina como Estado
“A decisão da Unesco de admitir o ‘Estado da Palestina’ como membro pleno é altamente problemática, contrária à política dos Estados Unidos e contribuiu para a proliferação de retórica anti-israelense dentro da organização”, concluiu a porta-voz.
Não é a primeira vez que os EUA saem da Unesco. Em 2018, Donald Trump, durante seu primeiro mandato, retirou o país da organização sob alegações de “viés anti-Israel”. Joe Biden recolocou o país na organização cultural da ONU em julho de 2023.
Mesmo antes disso, em 1984, o presidente Ronald Reagan também chegou a retirar o país da agência, acusando a organização de corrupção e conduta pró-soviética. Os EUA só retornaram durante a presidência de George W. Bush, em 2003.
A Unesco lamentou a decisão do governo americano, mas disse que a medida não surpreendeu. “Lamento profundamente a decisão do presidente Donald Trump de, mais uma vez, retirar os Estados Unidos da América da Unesco. […] Esse anúncio já era esperado e a Unesco se preparou para isso”, disse a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay. A saída dos EUA será efetivada em dezembro de 2026.
Os EUA respondem por cerca de 8% do orçamento total da Unesco, uma queda em relação aos cerca de 20% que financiavam quando Trump retirou o país da agência pela primeira vez.
Com informações de G1 e AFP