Esquema já causou prejuízos de quase R$ 20 milhões
Um novo golpe financeiro tem vitimado pessoas com a promessa de uma oportunidade rentável disfarçada de marketing digital. A cilada começa com o contato de uma suposta empresa por WhatsApp. Para participar de uma breve pesquisa, a pessoa só precisa indicar seu nome e chave Pix. Em seguida, ela é direcionada para um grupo do Telegram, que são confirma os dados pessoais para a transferência de R$ 20 via Pix.
A partir de então, pelo Telegram, a pessoa recebe desafios diários, como seguir determinado número de perfis no Instagram. Para receber o valor basta enviar um ‘print’. Após alguns dias, a empresa oferece a oportunidade de aumentar os ganhos mediante um pequeno investimento em bitcoins, numa modalidade chamada desafio pré-pago.
A pessoa compra uma cota inicial de R$ 100 reais e recebe R$ 130 reais (30% sobre este valor). Tudo aparentemente seguro, pois vários usuários compartilham seus comprovantes de recebimento.
Novas ‘oportunidades’ de aumentar ganhos são oferecidas, com investimentos a partir de de R$ 800. O desafio passa a ser: perder os R$ 800 reais ou depositar mais R$ 500 reais para fazer um curso sobre como lucrar mais.
Com lucros acumulados em desafios anteriores, muitos embarcaram na tentadora proposta. É nesse momento que ela é excluída do grupo e todas as suas mensagens passam a ser ignoradas ou bloqueadas. A empresa não tem indicação de CNPJ e o domínio do site é alterado periodicamente.
Presos pelo novo golpe:
Esta semana, 30 pessoas foram presas no Piauí acusadas de aplicar o golpe do empréstimo. Usando até carros de som para atrair as vítimas, bandidos enganavam sistemas bancários e causaram prejuízos de quase R$ 20 milhões.
Anderson Ranchel, ex-motorista de aplicativo, é apontado pela polícia como um dos líderes do esquema criminoso. Ele e outros três homens: Ilgner Bueno, Sávio Máximo e Handson Ferreira fraudaram quase R$ 6 milhões de um banco privado usando apenas celulares.
O golpe, que se espalhou por 24 estados, funcionava em duas frentes: em grupos de aplicativos – eles anunciavam empréstimos bancários facilitados, um dinheiro rápido e sem burocracia – e em um corpo-a-corpo, em locais escolhidos cuidadosamente.
Muitos clientes que contrataram o empréstimo moravam em bairros na periferia de Teresina, onde três dos quatro líderes da quadrilha nasceram e cresceram, e conheciam a maioria dos futuros clientes. Assim, ficava mais fácil convencê-los a participar do esquema.
Depois de recrutar os clientes, era hora de executar o golpe. As contas eram abertas pelo aplicativo do banco; nome e CPF eram verdadeiros, mas as profissões eram fictícias.
“Informando uma renda mensal que ele não tinha: R$ 40 mil por mês, por exemplo. Só que, assim que ele abria a conta, recebia um PIX de R$ 40 mil para que o motor de crédito do banco pensasse: poxa, essa renda é legítima”, explica o delegado.
Os líderes da quadrilha acessavam as contas e forjavam movimentações financeiras para enganar o sistema. Para acessar o dinheiro dos empréstimos, os fraudadores usavam máquinas de cartão ligadas a empresas de fachada.
A polícia acredita que o grupo aplicou o golpe do empréstimo por pelo menos um ano e meio, tempo em que acumulou um patrimônio considerável.




